Trump acusa processadoras de carne de inflar preços nos EUA e determina investigação; empresas brasileiras podem ser alvo

Presidente dos EUA, Donald Trump - Foto: AP

(OHF) — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira, 7, que ordenou ao Departamento de Justiça (DOJ) a abertura imediata de uma investigação contra empresas de processamento de carne que, segundo ele, estariam “elevando artificialmente” os preços da carne bovina no país por meio de “conluio e manipulação de mercado”.

Sempre protegeremos nossos pecuaristas americanos”, afirmou Trump em publicação na Truth Social.

Eles estão sendo culpados pelo que é feito por processadores de carne majoritariamente controlados por estrangeiros, que aumentam artificialmente os preços e colocam em risco a segurança do abastecimento alimentar da nossa nação”, completou.

Setor concentrado e empresas sob escrutínio

O mercado americano de carne é amplamente concentrado. De acordo com o Departamento de Agricultura (USDA), quatro companhias — JBS USA, Tyson Foods, Cargill Meat Solutions e National Beef Packing Company — respondem por cerca de 80% do abate de bovinos no país.

Entre elas, JBS e National Beef (controlada pela Marfrig) têm capital brasileiro, o que se enquadra na descrição feita por Trump de “processadores majoritariamente estrangeiros”. Ambas figuram entre as maiores exportadoras e empregadoras da indústria de carnes nos EUA.

Nos últimos anos, as empresas foram alvo de ações civis e investigações antitruste. Em fevereiro, a JBS concordou em pagar US$ 83,5 milhões para encerrar um processo que a acusava de conspirar com concorrentes para inflar os preços da carne bovina, segundo a Reuters.

Especialistas avaliam que a nova determinação presidencial pode ampliar o alcance dessas apurações e reacender pressões políticas sobre as subsidiárias estrangeiras do setor.

Escalada dos preços e rebanho em queda

Os preços da carne bovina atingiram níveis recordes em 2025. Segundo a consultoria Investopedia, o valor médio da carne moída chegou a US$ 6,30 por libra, com inflação anual superior a 11%.

O principal fator é a redução do rebanho nacional, que caiu ao menor patamar em sete décadas, de acordo com o Financial Times. O país enfrenta escassez de gado para abate após anos de seca, aumento dos custos de ração e retração de investimentos durante o período de preços baixos.

Essa combinação de oferta reduzida e demanda constante fez os preços dispararem ao consumidor, mas os criadores dizem não estar sendo beneficiados. O valor pago pelos frigoríficos permanece praticamente estável, ampliando a diferença entre o preço do gado e o da carne no varejo.

Pressões políticas e resposta do governo

Governadores e procuradores-gerais de estados do Meio-Oeste já vinham cobrando uma investigação federal sobre práticas de mercado das grandes processadoras. Representantes do setor agropecuário alegam que o alto grau de concentração permite às companhias impor preços e condições aos produtores.

Para tentar conter a escalada dos preços, o governo ampliou em outubro a cota de importação de carne argentina para 80 mil toneladas anuais. A medida busca aumentar a oferta e reduzir custos domésticos, mas analistas acreditam que o efeito será limitado, já que as quatro grandes empresas controlam a maior parte do processamento e da distribuição.

Relação entre governo e frigoríficos

Nos últimos anos, a relação entre Washington e os grandes processadores de carne alternou momentos de cooperação e tensão. Durante a administração anterior, o USDA e o DOJ firmaram acordos para reforçar a fiscalização antitruste e promover transparência nas negociações entre frigoríficos e produtores.

Trump, porém, tem adotado um tom mais combativo, denunciando o que chama de “monopólios ilegais” e associando o tema à defesa da produção nacional e da segurança alimentar — bandeiras que ressoam fortemente entre os eleitores do campo.

Impactos para produtores e consumidores

Pecuaristas afirmam que o modelo atual enfraquece a concorrência e reduz margens de lucro, sobretudo para pequenos e médios criadores.

Já para os consumidores, a alta dos preços transformou a carne bovina em um produto cada vez mais caro no orçamento familiar, superando a variação de outras proteínas.

Economistas alertam que, se o cenário persistir, os EUA poderão enfrentar escassez de oferta e maior dependência de importações em um mercado já pressionado.

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