Brasil anuncia adesão formal a processo na CIJ que acusa Israel de praticar ‘genocídio’ em Gaza
(OHF) – O governo brasileiro anunciou oficialmente nesta quarta-feira, 23, sua adesão à ação na Corte Internacional de Justiça (CIJ) da ONU que acusa Israel de praticar “genocídio” na Faixa de Gaza, elevando o tom das críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às operações militares israelenses no território palestino.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, Brasília manifesta profunda indignação diante da contínua violência contra civis palestinos.
“A comunidade internacional segue testemunhando, de forma rotineira, graves violações de Direitos Humanos e Humanitários: ataques à infraestrutura civil, inclusive a sítios religiosos, como à paróquia católica em Gaza, e às instalações das Nações Unidas, como à Organização Mundial da Saúde; violência indiscriminada e vandalismo por colonos extremistas na Cisjordânia”, afirma o comunicado, que cita ainda um recente incêndio às ruínas da antiga Igreja de São Jorge e ao cemitério bizantino em Taybeh.
O Itamaraty ressalta, em nota, que os massacres contra civis — em sua maioria mulheres e crianças — “se tornaram cotidianos durante a entrega de ajuda humanitária em Gaza”.
O processo contra Israel foi iniciado pela África do Sul, que no início deste mês intensificou as acusações ao apresentar uma nova petição. O país africano acusa o Estado israelense, governado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, de ter elevado o conflito a “uma nova e horrenda fase”.
Essa acusação ocorre após Netanyahu, durante visita a Washington, ter retomado o plano de expulsar os palestinos de Gaza, propondo a criação de uma suposta “cidade humanitária” para concentrar toda a população local.
Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, o ex-primeiro-ministro israelense Ehud Olmert comparou o projeto a um “campo de concentração”.
Por sua vez, o governo de Israel nega que suas ações em Gaza violem leis internacionais.
A decisão brasileira deve provocar reações por parte de Israel, que declarou Lula persona non grata no início do ano passado.
Além disso, pode aumentar a pressão do governo do presidente americano Donald Trump, principal aliado de Israel, especialmente em um momento de tensão comercial entre Brasil e EUA, após o anúncio de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros importados por Washington.
