Ex-presidente paraguaio Santiago Peña é preso em sua casa horas após sofrer impeachment
(OHF) — O ex-presidente paraguaio Santiago Peña foi detido na noite desta sexta-feira, 6, em Assunção, logo após ser destituído do cargo pelo Senado do país, por meio de um processo de impeachment.
O agora ex-mandatário deverá cumprir prisão domiciliar nas próximas horas, por determinação do Ministério Público, que investiga sua suposta participação em irregularidades relacionadas ao escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank. Assista abaixo:
Peña deverá ser apresentado à unidade especializada em crimes econômicos e anticorrupção do MP paraguaio na manhã deste sábado, 7.
O impeachment foi aprovado por unanimidade pelos 44 senadores presentes, após um julgamento motivado pela crise envolvendo a instituição financeira. O ex-presidente havia apresentado sua renúncia na quinta-feira, 5, mas o Congresso decidiu não aceitá-la e prosseguir com o processo de destituição.
O escândalo ganhou força na terça-feira, 3, quando o Banco Central do Paraguai determinou a intervenção do Ueno Bank após identificar que seu índice de solvência havia caído para menos da metade do mínimo exigido pela regulamentação.
A medida deixou aproximadamente 2,9 milhões de clientes temporariamente sem acesso aos próprios depósitos e cartões bancários. A instituição também concentrava cerca de US$ 800 milhões em recursos públicos.
Peña é investigado por suspeitas de favorecimento à instituição financeira durante seu governo, especialmente pela concentração de recursos públicos no banco e por possíveis irregularidades na fiscalização de suas atividades.
Entre os questionamentos estão depósitos de recursos do sistema previdenciário estatal acima dos limites legais, além de suspeitas de empréstimos irregulares a empresas relacionadas ao Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank.
O ex-presidente também é acusado de ter mantido vínculos empresariais com o grupo por meio da Ueno Holding, anteriormente denominada Credicentro. Ele anunciou a venda de sua participação na empresa em março de 2025. Peña nega qualquer irregularidade.
Com a destituição, o então vice Pedro Alliana tomou posse como presidente do Paraguai e assumiu a responsabilidade de concluir o atual mandato, que se encerra em 15 de agosto de 2028.
Alliana também é alvo de investigação relacionada ao escândalo financeiro.
