Caso Master: Flávio Bolsonaro é alvo de inquérito que apura suspeitas de corrupção no financiamento do filme Dark Horse
(OHF) — O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é alvo de um inquérito da Polícia Federal (PF) que apura possíveis crimes relacionados ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A investigação, sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi autorizada em julho deste ano, após solicitação da PF.
A inclusão de Flávio entre os alvos veio a público nesta sexta-feira, 11, após o magistrado levantar parcialmente o sigilo de documentos do caso Master.
A apuração está relacionada aos recursos que o senador teria solicitado a Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, para financiar a produção do longa. Segundo documentos e mensagens revelados anteriormente, teria sido negociado um repasse de até US$ 24 milhões, dos quais aproximadamente US$ 10 milhões foram efetivamente transferidos.
A PF investiga a origem, a movimentação e a destinação dos recursos, além das circunstâncias dos repasses. Entre as hipóteses sob apuração estão possíveis crimes financeiros, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
A apuração relacionada aos recursos de Vorcaro é distinta de outra frente, sob relatoria do ministro Flávio Dino, que investiga possível utilização irregular de emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produtora Go Up Entertainment, responsável por Dark Horse.
Na quinta-feira, 10, a PF deflagrou a Operação Make Up e cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Entre os alvos estavam o deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor-executivo e roteirista do filme, e a empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela Go Up e por entidades que receberam recursos de emendas parlamentares.
Segundo a PF, a investigação apura suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. A corporação afirma ter identificado indícios de direcionamento de recursos públicos para empresas subcontratadas de maneira irregular e movimentações de centenas de milhões de reais entre o grupo investigado.
Há também outra investigação conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo sobre um contrato entre a Prefeitura e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina, para a instalação de pontos de Wi-Fi gratuito em regiões periféricas da capital.
