Dark Horse: Dino retira sigilo de operação que investiga filme sobre Bolsonaro; Frias é apontado como ‘agente central’ em esquema

(OHF) — O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta quinta-feira, 10, o sigilo da decisão que autorizou a Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares destinados a organizações ligadas à produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Entre os principais alvos da operação está o deputado federal Mario Frias (PL-SP), produtor executivo e roteirista do longa.

Segundo a PF, o parlamentar teria realizado transferências de R$ 645,4 mil para a Go Up Entertainment, produtora do filme, valor considerado incompatível com seus rendimentos e com os créditos identificados em suas contas.

Os investigadores apontam que Frias não seria apenas autor de emendas que teriam sido posteriormente desviadas, mas um “agente central” da suposta organização criminosa investigada. Para a PF, há indícios de uma estrutura destinada a “captar, disseminar e ocultar recursos provenientes de verbas públicas”.

A apuração também aponta coincidências entre o período de envio das emendas e a produção do filme. Uma delas, de R$ 1 milhão, foi destinada por Frias ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) para um projeto de empreendedorismo no interior de São Paulo que, segundo as apurações divulgadas até o momento, não teria sido executado.

Ao todo, a PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. A produtora Karina Gama e entidades ligadas à produção do filme sobre Bolsonaro também são investigadas.

Dino determinou ainda medidas cautelares contra investigados, incluindo a proibição de deixar o país e de manter contato entre si.

Em outra frente, relatada pelo ministro André Mendonça, o STF investiga o financiamento do filme e repasses relacionados ao Banco Master, além da atuação do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) junto a Daniel Vorcaro para a obtenção de recursos destinados a Dark Horse. Essa apuração é distinta da Operação Make Up.

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