Alcolumbre se esquiva de comentar mensagens de Vorcaro a Moraes e reclama do número de pedidos de impeachment

(OHF) — O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), evitou comentar nesta terça-feira, 1º, o conteúdo das mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, do Banco Master, ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que constam em relatório da Polícia Federal (PF) divulgado mais cedo.

Questionado sobre as conversas, Alcolumbre se limitou a afirmar: “eu não achei nada, eu não devo achar nada”. Na mesma ocasião, o presidente do Senado afirmou que existem 109 pedidos de impeachment contra os dez ministros da Corte e classificou a quantidade como anormal. Assista abaixo:

As mensagens fazem parte do material reunido pela PF no âmbito das apurações relacionadas ao escândalo do Banco Master.

Segundo o relatório, Vorcaro manteve contato com Moraes em diferentes ocasiões. Entre as mensagens recuperadas, o ex-banqueiro teria perguntado ao ministro se deveria deixar o país antes de uma operação policial poder atingi-lo.

O relatório, porém, contém principalmente mensagens enviadas por Vorcaro. As respostas atribuídas a Moraes não aparecem no material periciado pela PF devido à forma como eram encaminhadas e às limitações para recuperar os dados do aparelho que as recebeu.

O documento também reúne informações sobre a relação comercial entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

A divulgação do relatório ampliou a pressão da oposição sobre Alcolumbre para que o Senado analise pedidos de impeachment contra o magistrado.

Nesta terça-feira, senadores como Alessandro Vieira (MDB-SE), Carlos Viana (PSD-MG), Cleitinho (Republicanos-MG), Damares Alves (Republicanos-DF), Esperidião Amin (PP-SC), Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Izalci Lucas (PL-DF), Luis Carlos Heinze (PL-RS) e Magno Malta (PL-ES) defenderam o afastamento do ministro por impeachment ou renúncia.

Damares também defendeu uma estratégia de obstrução das votações do Senado como forma de pressionar pelo afastamento de Moraes.

A iniciativa pode afetar o andamento de pautas em tramitação, como a medida provisória que extingue a chamada “taxa das blusinhas” e a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. Essas matérias são consideradas prioritárias pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A MP, que acaba com a cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, precisa ser aprovada pelas duas Casas do Congresso até 8 de setembro para não perder a validade.

Já a PEC que reduz a jornada semanal para 40 horas e prevê dois dias de descanso remunerado está na pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado desta quarta-feira, 2. O relator, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que pretende aprovar a proposta no colegiado e buscar um calendário especial para levá-la ao plenário.

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