Mendonça pede explicações à PGR sobre mensagem de Vorcaro a Moraes que cita ‘proteção’ de Gonet e Andrei

(OHF) — O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) informações complementares sobre uma mensagem encontrada no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, na qual menciona a necessidade de “proteção” de “Andrei” e “Paulo”.

Segundo relatório da Polícia Federal (PF) encaminhado ao STF, os nomes seriam referências a Andrei Rodrigues, diretor-geral da corporação, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.

Inicialmente, os investigadores não haviam identificado o destinatário da mensagem. Após novas apurações, porém, a PF concluiu que o conteúdo teria sido enviado ao ministro Alexandre de Moraes.

De acordo com o relatório, Vorcaro disse ao interlocutor que enfrentava pressão da polícia e do Ministério Público Federal (MPF) e afirmou ter recebido informações de integrantes do Banco Central (BC) de que Gabriel Galípolo e outros diretores estariam sob forte pressão para adotar medidas contra o Master.

No mesmo contexto, teria pedido que o interlocutor reforçasse com “Andrei” e “Paulo” a necessidade de impedir que subordinados das estruturas da PF e do MPF praticassem alguma “sacanagem”, pois, segundo ele, “aí vai tudo pro saco”.

A Polícia Federal também recuperou outras mensagens de Vorcaro enviadas pelo mesmo método: o banqueiro escrevia textos no bloco de notas do celular, fazia capturas de tela e encaminhava as imagens pelo WhatsApp como mensagens de visualização única. Moraes também respondia utilizando procedimento semelhante.

O material seria do fim de outubro do ano passado, pouco antes da prisão de Vorcaro na Operação Compliance Zero e da liquidação do Master pelo BC.

Mendonça encaminhou o caso à PGR e estabeleceu prazo de cinco dias para manifestação. A Procuradoria, por sua vez, solicitou informações adicionais à PF sobre o conteúdo.

O novo episódio ocorre em meio a outras apurações envolvendo a relação de Vorcaro com autoridades. Entre os fatos já revelados está o contrato de R$ 129 milhões, com duração prevista de três anos, entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.

O contrato vigorou de fevereiro de 2024 a novembro de 2025, quando o banco foi liquidado. A banca afirmou ter realizado 94 reuniões de trabalho e produzido 36 pareceres durante a prestação dos serviços.

Diante da gravidade do caso, Mendonça avalia a possibilidade de incluir o ministro Moraes na investigação. Até o momento, trata-se de uma avaliação no âmbito do inquérito, e não de uma decisão definitiva.

Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues ainda não comentaram as revelações.

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