Paraguai entrega ao embaixador brasileiro nota de repúdio à fala de Lula sobre guerra e pede devolução de canhões; solicitação deve ser rejeitada

(OHF) – O governo paraguaio entregou nesta sexta-feira, 31, uma nota oficial de repúdio ao embaixador do Brasil em Assunção, José Antonio Marcondes de Carvalho (no centro da foto, à direita), endereçada ao chanceler Mauro Vieira, em resposta às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Guerra do Paraguai (1864–1870).

No documento, o governo do presidente Santiago Peña afirma que as declarações de Lula “distorcem fatos históricos de singular relevância para o povo paraguaio” e defende que o episódio seja tratado com “responsabilidade, respeito mútuo e espírito de reconciliação” entre os dois países.

O texto também propõe que o debate sobre o tema ocorra exclusivamente por meio dos canais diplomáticos.

Além do protesto, o Paraguai renovou o pedido para que o Brasil devolva itens históricos levados como troféus de guerra após o conflito, entre eles os canhões El Cristiano e Presidente López, além de outros artefatos e documentos.

A reivindicação, contudo, não é inédita e tende a ser rejeitada pelo governo brasileiro, que historicamente mantém esses itens sob a guarda de instituições nacionais.

A crise diplomática foi desencadeada após Lula afirmar, durante um discurso sobre investimentos no setor de defesa, que “gosta de paz”, mas “não pode se esquecer de que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil” e que a guerra, “que parecia que era nada”, durou cinco anos.

A fala, embora factualmente correta, provocou forte reação das autoridades paraguaias, que acusaram o presidente brasileiro de “simplificar e distorcer” um dos episódios mais traumáticos da história do país.

Apesar do endurecimento do tom, o vice-presidente paraguaio, Pedro Alliana, afirmou que Assunção não pretende aprofundar a crise diplomática com o Brasil e que a manifestação foi feita pelos canais institucionais apropriados.

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