Ditador Daniel Ortega anuncia que não haverá mais eleições na Nicarágua
(OHF) — O ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou que o país não terá mais eleições, em uma declaração que escancara o controle autoritário do regime sobre o sistema político nacional. A fala ocorreu no domingo, 19, durante as celebrações do 47º aniversário da Revolução Sandinista, em Manágua.
Ortega afirmou que pleitos permitiriam que opositores “tomassem o governo e o poder”, acusando seus adversários políticos de serem apoiados pelos Estados Unidos.
A declaração ocorre após anos de repressão contra lideranças oposicionistas, jornalistas, organizações da sociedade civil e integrantes da Igreja Católica.
Desde que retornou ao poder, em 2007, Ortega consolidou o controle sobre as principais instituições do Estado. Em 2025, reformas constitucionais ampliaram ainda mais seus poderes e os da vice-presidente Rosario Murillo, sua esposa, que passou a exercer o cargo de copresidente.
A última eleição presidencial, realizada em 2021, foi marcada pela prisão de diversos candidatos da oposição antes da votação e amplamente criticada pela comunidade internacional devido à ausência de condições democráticas.
No Brasil, o governo Lula mantém uma relação desgastada com o regime de Ortega. A crise se aprofundou após críticas do Itamaraty à perseguição promovida pelo regime sandinista contra opositores e religiosos, especialmente após a captura do bispo Rolando Álvarez.
Em 2024, Brasil e Nicarágua expulsaram representantes diplomáticos, deixando os canais de diálogo político congelados.
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