Tarifaço de Trump: Governo Lula desmente alegações de Marco Rubio e apresenta histórico de negociações com os EUA
(OHF) – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu, nesta quinta-feira, 16, as acusações feitas pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, de que o Brasil não teria negociado “de boa-fé” para evitar o novo tarifaço imposto pela administração de Donald Trump.
Em publicação nas redes sociais, Rubio atribuiu a adoção da tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros à suposta falta de disposição do governo Lula para negociar com Washington. A declaração foi divulgada poucas horas depois de o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) concluir a investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e oficializar uma nova rodada de ataques comerciais contra o Brasil.
Em resposta, a diplomacia brasileira divulgou um levantamento para contestar a narrativa americana. Segundo o governo, desde o anúncio do tarifaço original foram realizados mais de 30 contatos com autoridades dos EUA, incluindo telefonemas, videoconferências e reuniões presenciais nos níveis presidencial, ministerial e técnico.
De acordo com o balanço, representantes brasileiros mantiveram ao menos 11 reuniões e conversas com o secretário de Estado Marco Rubio e com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer. O governo Lula afirma que, em todas essas ocasiões, a iniciativa para abrir o diálogo partiu do lado brasileiro, em uma tentativa de construir uma solução negociada para o impasse comercial.
O levantamento foi apresentado para rebater as críticas de que o Brasil teria deixado de buscar uma negociação antes da adoção das medidas tarifárias. Segundo o Planalto, os contatos foram constantes ao longo dos últimos meses, mas não resultaram em um acordo capaz de evitar a decisão anunciada por Washington.
A troca de acusações ocorre em meio ao agravamento da crise diplomática entre os dois países. Além da nova tarifa de 25%, o governo Trump concluiu a investigação comercial contra o Brasil e passou a justificar as medidas com alegações envolvendo o Pix, comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e desmatamento.
O governo Lula rejeita todas as acusações, sustenta que elas são infundadas e afirma que recorrerá à Lei da Reciprocidade Econômica para responder às medidas adotadas pelos EUA.
Segundo o Planalto, a escalada das tensões coincide com as articulações da família Bolsonaro junto a integrantes da administração Trump, repetindo a estratégia adotada no ano passado, que culminou na abertura da investigação com base na Seção 301 e na primeira imposição de tarifas em favor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em meio ao seu julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).
