Alcolumbre articula acordo com bolsonaristas para barrar CPMI do Master em troca de avanço na redução de penas do 8/1
(OHF) — O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), deve barrar o avanço da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master.
A criação do colegiado depende da leitura do requerimento em sessão do Congresso, etapa prevista para esta quinta-feira, 30 — a primeira reunião após a formalização do pedido.
Apesar disso, segundo parlamentares ouvidos pela Folha de S.Paulo, Alcolumbre optou por não dar andamento ao tema e articulou um acordo com a oposição bolsonarista para evitar contestações à decisão.
Dentro dessa negociação, o presidente do Senado e do Congresso incluiu na pauta do dia a análise do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto de lei da dosimetria.
A proposta prevê a redução de penas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, e há expectativa de que o veto seja derrubado pelos congressistas.
A articulação também contou com a participação do relator da matéria na Câmara, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), e teve como objetivo assegurar que a votação do veto ocorresse sem a leitura do requerimento da CPMI.
Nos bastidores, a cúpula do Congresso atua para conter a repercussão do caso, que pode ampliar o desgaste da classe política.
Isso porque parte das lideranças partidárias, sobretudo do Centrão, teria mantido proximidade com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O governo Lula, por sua vez, também não deve se mobilizar pela instalação da CPMI.
A avaliação no Palácio do Planalto é que a investigação traria desgaste, ao manter o tema da corrupção em evidência e desviar o foco de pautas do Executivo, como a redução da jornada de trabalho e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.
