Governo Lula anuncia parceria com agência dos EUA para combater tráfico de drogas e armas

Presidente dos EUA, Donald Trump, e presidente Lula - Foto: Reprodução

(OHF) — O Ministério da Fazenda anunciou, nesta sexta-feira, 10, uma parceria entre a Receita Federal do Brasil (RFB) e o U.S. Customs and Border Protection (CBP), órgão de controle de fronteiras dos Estados Unidos, com foco no combate ao crime organizado transnacional.

Batizada de Projeto Mutual Interdiction Team (MIT), a iniciativa busca integrar ações de inteligência e operações conjuntas para interceptar o envio ilegal de armas e entorpecentes.

Diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; ministro da Fazenda, Dario Durigan; e o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas – Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Segundo o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, aproximadamente meia tonelada de armamentos foi apreendida em portos e aeroportos brasileiros nos últimos 12 meses. No mesmo período, também foram interceptadas cerca de 1,5 tonelada de drogas, principalmente sintéticas e haxixe.

“A cooperação está inserida no contexto do diálogo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos EUA, Donald Trump, e integra uma agenda mais ampla de cooperação bilateral voltada ao enfrentamento do crime organizado transnacional”, informou o governo.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, explicou que o acordo prevê a troca de informações com autoridades americanas sobre cargas — especialmente contêineres — com destino ao Brasil, combinando esses dados com inteligência para reforçar o combate ao tráfico de armas e drogas.

De acordo com o governo brasileiro, a parceria inclui ainda o programa “Desarma”, um sistema informatizado desenvolvido pela Receita Federal para ampliar a capacidade de rastreamento internacional de armamentos.

O Desarma permitirá o compartilhamento estruturado e em tempo real de informações entre os dois países “sempre que a aduana brasileira identificar produtos de origem americana, relacionada a armas, munições, peças, componentes, explosivos e outros itens sensíveis”.

“Se a prevenção não der conta de impedir [o envio de armas ao Brasil], dentro do ‘Desarma’ vai haver uma notificação de volta para as autoridade norte-americanas, identificando qual o tipo de arma, de onde chegou, para que eles melhorem os procedimentos e sigam entregando melhores informações. Há grande reciprocidade, com mais informação e mais inteligência”, afirmou o ministro Durigan.

O governo destacou que a ferramenta organiza dados de apreensões — como tipo de material, origem declarada e informações logísticas — e permite o envio de alertas às autoridades aduaneiras envolvidas.

O anúncio da parceria ocorre em meio a discussões nos Estados Unidos sobre a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas.

O tema ganhou força após o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pressionarem integrantes do governo de Donald Trump, segundo reportagem do jornal “The New York Times”.

Nos bastidores, o Palácio do Planalto avalia com preocupação essa possibilidade, temendo que a medida abra margem para ações de natureza militar em território brasileiro, além da aplicação de sanções que possam impactar instituições financeiras nacionais.

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