Países da União Europeia aprovam acordo com Mercosul após mais de 25 anos de negociações

Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente Lula durante reunião em Brasília — Foto: Ricardo Stuckert/PR

(OHF) — Países da União Europeia aprovaram nesta sexta-feira, 9, o acordo comercial entre o bloco e o Mercosul.

A decisão abre caminho para a assinatura do tratado, negociado ao longo de mais de 25 anos. O acordo conta com apoio de setores empresariais das duas regiões, mas enfrenta resistência de agricultores europeus, especialmente na França.

O texto prevê a redução ou a eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além do estabelecimento de regras comuns para o comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.

Com o aval político do bloco, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar oficialmente o acordo na próxima segunda-feira, 12, no Paraguai. O tratado tem potencial para criar a maior área de livre comércio do mundo.

Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o pacto amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores, com impactos que vão além do agronegócio e alcançam diferentes setores da indústria.

Segundo a AFP, a maioria dos 27 Estados-membros da União Europeia votou a favor do acordo durante a reunião de embaixadores em Bruxelas. Para o avanço do tratado, era necessário o apoio de pelo menos 15 países que representassem, juntos, 65% da população do bloco.

A aprovação ocorreu apesar da oposição da França, da Irlanda e de outros países que alegam possíveis impactos negativos sobre seus setores agrícolas.

Nesse contexto, a Itália teve papel decisivo. A sinalização de apoio por parte de Roma ao longo da semana reforçou a percepção de que o acordo poderia avançar nesta sexta-feira.

A mudança de posição ocorreu após o governo italiano demonstrar abertura ao texto, desde que fossem atendidas demandas do setor agrícola.

Em dezembro, durante debates no Conselho Europeu, a primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que o apoio de seu país dependeria da consideração dessas preocupações.

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