Superávit comercial da China ultrapassa US$ 1 trilhão pela primeira vez
(OHF) — A China ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 1 trilhão (R$ 5,4 trilhões) em superávit comercial no acumulado do ano até novembro, impulsionada pelo redirecionamento de suas exportações para fora dos Estados Unidos em meio às tarifas impostas pelo presidente americano, Donald Trump. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, 8.
Superávit comercial ocorre quando um país exporta mais do que importa.
Com a retração no mercado americano, fabricantes chineses ampliaram significativamente as vendas para a Europa, a Austrália e o sudeste asiático ao longo do ano.
“Os cortes tarifários acordados no âmbito da trégua comercial entre EUA e China não ajudaram a impulsionar as exportações para os EUA no mês passado, mas, no geral, o crescimento das exportações se recuperou”, afirmou Zichun Huang, economista da Capital Economics, à Reuters.
“Esperamos que as exportações da China permaneçam resilientes, com o país continuando a ganhar participação no mercado global no próximo ano”, completou a economista, destacando que o redirecionamento do comércio continua a compensar o impacto negativo das tarifas dos EUA.
As exportações chinesas cresceram 5,9% em novembro em relação ao mesmo mês de 2023, revertendo a queda de 1,1% registrada em outubro e superando a projeção de alta de 3,8% do mercado, segundo a alfândega chinesa.
Com isso, o superávit comercial do país alcançou US$ 111,7 bilhões (R$ 606 bilhões) em novembro, o maior desde junho e acima das estimativas de US$ 100,2 bilhões (R$ 543,6 bilhões).
EUA x China
Desde a vitória de Trump nas eleições de novembro de 2024, Pequim intensificou a diversificação de seus mercados, aprofundando relações comerciais com o sudeste asiático e a União Europeia.
A China também vem aproveitando a presença de suas empresas no exterior para estabelecer novos polos de produção com acesso a tarifas reduzidas.
Nesse contexto, as exportações chinesas para os EUA caíram 29% no ano até novembro, enquanto as vendas para a União Europeia avançaram 14,8%. As remessas para a Austrália subiram 35,8%, e os países do sudeste asiático importaram 8,2% mais produtos chineses no período.
A queda nas exportações para os EUA ocorreu apesar do anúncio de que as duas maiores economias do mundo concordaram em reduzir algumas tarifas após o encontro entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping em 30 de outubro, na Coreia do Sul.
A tarifa média americana sobre produtos chineses permanece em 47,5%, acima do limite de 40%, ponto em que, segundo economistas, as margens de lucro dos exportadores começam a ser comprometidas.
Câmbio e perspectivas
O yuan se valorizou nesta segunda, impulsionado pelos dados de exportações mais fortes do que o esperado. Investidores aguardam ainda sinais sobre o rumo dos juros, com reuniões decisivas previstas para o fim do ano.
Após a divulgação dos números, o Politburo — o principal órgão decisório do Partido Comunista Chinês — anunciou que adotará medidas para expandir a demanda interna, movimento considerado essencial por analistas diante da desaceleração do consumo doméstico.
Economistas estimam que o acesso reduzido ao mercado americano desde o retorno de Trump à Casa Branca tenha diminuído o crescimento das exportações chinesas em cerca de 2 pontos percentuais, o equivalente a 0,3% do PIB.
A queda inesperada das exportações em outubro, após um avanço de 8,3% em setembro, indicou que a estratégia de antecipar embarques para driblar tarifas havia se esgotado.
