Trump diz que espaço aéreo da Venezuela deve ser considerado fechado
(OHF) — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na manhã deste sábado, 29, que o espaço aéreo da Venezuela deve ser considerado fechado.
A mensagem, publicada em seu perfil na Truth Social, foi dirigida a companhias aéreas, pilotos e a criminosos.
“A todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas, por favor, considerem o espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela como totalmente fechado”, escreveu Trump.
O alerta ocorre em meio à escalada militar conduzida por Washington no Caribe desde agosto, no âmbito da operação que a Casa Branca descreve como parte dos esforços para desmantelar cartéis de drogas latino-americanos.
A publicação coincide com o aumento das demonstrações de força dos militares dos EUA na região.
Desde que o governo Trump autorizou ataques contra embarcações alegadamente suspeitas de tráfico, o Departamento de Defesa americano intensificou a divulgação de imagens e vídeos de exercícios militares no Caribe.
Entre agosto e novembro, o volume de publicações quadruplicou, incluindo registros de pousos anfíbios, treinos de tiro em área de selva, bombardeios no mar e operações com caças F-35.
A presença militar enviada para a região inclui o porta-aviões USS Gerald R. Ford, destróieres, navios anfíbios, helicópteros, aeronaves de reconhecimento e ao menos um submarino nuclear.
Segundo estimativas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, cerca de 13 mil militares americanos estão mobilizados ao redor da Venezuela. A operação, no entanto, é controversa.
A pressão aumentou após revelações sobre a primeira ofensiva dos EUA contra um barco suspeito no Caribe. De acordo com reportagem do The Washington Post, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, teria orientado a equipe de operações especiais a não deixar sobreviventes durante o ataque realizado em setembro.
As informações motivaram questionamentos de parlamentares democratas, que mencionaram possíveis violações do direito internacional. O Pentágono classificou a matéria como “completamente falsa”.
Trump mantém o discurso de que os EUA enfrentam um “conflito armado” contra cartéis e afirma que cada embarcação interceptada transporta drogas suficientes para matar milhares de americanos.
Em mensagem enviada às tropas durante o feriado de Ação de Graças, o presidente afirmou que o contrabando marítimo teria caído 85%, além de declarar que as ações por terra devem começar “muito em breve”, sem esclarecer se operações militares ocorreriam dentro do território venezuelano.
Na semana passada, o órgão regulador da aviação dos EUA emitiu um alerta às principais companhias aéreas sobre uma “situação potencialmente perigosa” ao sobrevoar a Venezuela, citando a “situação de segurança cada vez pior” e o aumento da atividade militar no país e em seus arredores.
Em resposta, a Venezuela revogou os direitos de operação de seis grandes companhias internacionais que haviam suspendido voos após o aviso da Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA), incluindo a brasileira GOL.
A escalada militar já provocou reações do regime do ditador Nicolás Maduro, que acusa Washington de buscar um pretexto para justificar uma intervenção. Os EUA, por sua vez, têm alternado pressão militar e tentativas de negociação.
Reportagens recentes apontam que Maduro procurou representantes americanos com propostas envolvendo exploração de recursos e até uma possível saída negociada, mas Trump teria rejeitado as ofertas.
