Principais veículos de imprensa dos EUA rejeitam novas restrições do Pentágono à cobertura jornalística

Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos EUA - Foto: Pablo Martinez Monsivais/AP

(OHF) — Os principais veículos de imprensa dos Estados Unidos — incluindo ABC, CBS, CNN, FOX, NBC News, The New York Times, The Washington Post e Associated Press —, além das organizações britânicas Reuters e The Guardian, confirmaram nesta terça-feira, 14, a recusa em assinar o novo “pledge” (compromisso) imposto pelo Departamento de Defesa do país, por ordem do secretário Pete Hegseth.

O documento do Pentágono estabelece novas regras e restrições à cobertura jornalística de temas militares e de segurança nacional.

Segundo as organizações de imprensa, as exigências “restringiriam a capacidade dos jornalistas de manter o país e o mundo informados sobre assuntos importantes de segurança nacional” e representam “uma ameaça sem precedentes às proteções fundamentais do jornalismo”.

Hoje, juntamo-nos virtualmente a praticamente todos os outros veículos de imprensa ao nos recusarmos a aderir aos novos requisitos do Pentágono. A política é sem precedentes e ameaça proteções centrais do jornalismo. Continuaremos a cobrir as Forças Armadas dos Estados Unidos como cada uma de nossas organizações tem feito por muitas décadas, sustentando os princípios de uma imprensa livre e independente”, diz um comunicado divulgado pelas principais redes de televisão americanas.

Regras contestadas

O novo regulamento do Pentágono exige que jornalistas reconheçam formalmente um conjunto de diretrizes que limita a obtenção e divulgação de informações consideradas “não autorizadas”. As normas também restringem o acesso independente às instalações militares e permitem a revogação imediata de credenciais de imprensa em caso de descumprimento.

De acordo com reportagens do The Washington Post e da Reuters, os profissionais que não aderirem ao documento poderão perder o credenciamento e o acesso físico ao Pentágono, o que afetaria dezenas de correspondentes especializados em Defesa e Segurança Nacional.

Reação da comunidade jornalística

A decisão das principais redações foi apoiada pela Pentagon Press Association (PPA), entidade que representa os repórteres credenciados junto ao Departamento de Defesa.

A associação classificou o novo regulamento como “intimidador e inconstitucional”, afirmando que as medidas “violam a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos e ameaçam criminalizar comunicações legítimas entre jornalistas e fontes do governo”.

Segundo a PPA, as restrições “ferem princípios básicos da liberdade de imprensa” e criam um precedente perigoso ao submeter a apuração jornalística à aprovação prévia de autoridades militares.

Defesa do Pentágono

O secretário Hegseth afirmou em nota que as medidas são “de bom senso” e visam “proteger informações sensíveis em um ambiente global de crescente ameaça”.

Segundo ele, o Pentágono não estaria impondo um contrato, mas “apenas pedindo que os jornalistas reconheçam as normas existentes de segurança”.

As organizações de imprensa, no entanto, consideram essa justificativa insuficiente e potencialmente coercitiva, já que o não reconhecimento das regras implica a perda de acesso às instalações e fontes oficiais.

Conflito crescente com a imprensa

O impasse marca mais um capítulo no confronto entre a administração Trump e os grandes meios de comunicação.

Nos últimos meses, o governo reduziu o número de coletivas no Pentágono, limitou o acesso da imprensa a áreas restritas e centralizou o fluxo de informações oficiais.

Até o momento, apenas a One America News (OAN) — emissora de perfil alinhado à Casa Branca — afirmou que pretende assinar o documento.

Liberdade de imprensa em debate

A rejeição coletiva é vista como uma demonstração inédita de unidade entre concorrentes diretos da imprensa americana em defesa da liberdade de informação e da independência editorial.

Analistas apontam que o episódio poderá ter impactos duradouros na relação entre o governo e a mídia, reacendendo o debate sobre os limites entre segurança nacional e transparência pública.

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