Governo Trump formaliza que EUA estão em ‘conflito armado’ contra cartéis de drogas

(OHF) — O governo de Donald Trump classificou formalmente cartéis de drogas latino-americanos, em especial da Venezuela, como “combatentes ilegais” e declarou que os Estados Unidos estão envolvidos em um “conflito armado” formal.

A definição aparece em um documento confidencial enviado pela Casa Branca ao Congresso nesta semana. O conteúdo foi revelado pelo The New York Times e pela Associated Press nesta quinta-feira, 2.

O texto reforça justificativas já usadas pela administração Trump para atacar embarcações supostamente ligadas ao narcotráfico, mas avança ao sustentar que as operações militares no sul do Caribe fazem parte de um conflito ativo e contínuo.

Essas ações ocorreram no mês passado, quando forças americanas realizaram três ataques fatais contra barcos suspeitos de tráfico na região. Pelo menos dois teriam partido da Venezuela.

O primeiro ataque, em 2 de setembro, atingiu uma lancha que, segundo Washington, transportava drogas. Onze pessoas morreram.

Trump declarou que a embarcação era operada pelo Tren de Aragua, facção criminosa classificada pelos EUA como organização terrorista estrangeira no início deste ano.

A Casa Branca havia descrito as ofensivas como “autodefesa” e argumentado que, pelas leis de guerra, o governo tinha o direito de matar — em vez de capturar — os ocupantes das embarcações, sob a alegação de que traficavam drogas para cartéis designados como terroristas.

O Executivo federal dos EUA também destacou que cerca de 100 mil americanos morrem anualmente por overdose.

No entanto, o documento despertou desconfiança no Congresso. Parlamentares viram na medida uma tentativa de criar um novo marco legal e questionaram o papel do Legislativo em autorizar operações dessa natureza.

Uma fonte disse à Associated Press que o Pentágono sequer conseguiu apresentar aos congressistas uma lista das organizações oficialmente enquadradas como terroristas, o que gerou frustração entre alguns deles.

O impasse reacendeu pressões dentro do Congresso para que seja aplicada a Lei dos Poderes de Guerra, que limita ações militares sem aval legislativo.

A resistência partiu de parlamentares dos dois partidos, contrários à ampliação das operações de Trump no Caribe.

Venezuela denuncia aproximação de caças dos EUA à sua costa

Também nesta quinta, a Venezuela afirmou que cinco caças F-35 americanos se aproximaram de sua costa.

O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, declarou em rede de televisão estatal que o sistema de defesa aérea “detectou mais de cinco vetores”, definidos por ele como “aviões de combate”.

De acordo com Caracas, a movimentação está ligada às manobras militares lançadas pelos EUA no Caribe.

Há quase um mês, Washington mobilizou 10 caças F-35 em Porto Rico, além de oito navios de guerra.

O ditador Nicolás Maduro classificou a operação como um cerco e uma ameaça ao país.

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