Argentina: Peronismo triunfa nas eleições legislativas de Buenos Aires, em derrota amarga para Milei

Governador de Buenos Aires, Axel Kicillof, e o presidente da Argentina, Javier Milei – foto: Reuters/AP

(OHF) – O presidente da Argentina, Javier Milei, recebeu um duro recado do eleitorado neste domingo, 7, com a vitória do peronismo nas eleições legislativas da província de Buenos Aires.

Embora a governabilidade de Milei não estivesse em jogo neste pleito, os resultados antecipam o clima político para a disputa nacional marcada para 26 de outubro.

Com 88% das urnas apuradas, dados preliminares da Junta Eleitoral mostram que a coalizão peronista Força Pátria obteve 47% dos votos, contra 33,8% do partido libertário A Liberdade Avança. A definição da distribuição dos assentos no parlamento provincial ainda será concluída.

Os eleitores renovaram 46 dos 92 assentos do Congresso provincial e 23 das 46 cadeiras do Senado local, cargos comparáveis, no Brasil, a deputados estaduais, mas organizados em um sistema bicameral. Além disso, foram eleitos vereadores e orientadores escolares em 135 municípios.

Normalmente, essas eleições provinciais avaliam a gestão de governadores e prefeitos e definem sua capacidade de governar nos próximos dois anos. Mas neste ano, a votação na maior província do país ganhou projeção nacional, servindo como termômetro da administração de Milei.

A disputa se polarizou entre os libertários de A Liberdade Avança, de Milei, e o peronismo de Força Pátria, liderado pelo governador Axel Kicillof. O partido Somos Buenos Aires tentou se apresentar como terceira via, mas conquistou apenas 5% dos votos.

Milei reconheceu a derrota por volta das 22h e admitiu que é hora de refletir sobre os erros.

O que precisamos deixar claro é que, sem dúvida, no plano político, sofremos uma clara derrota hoje. E se alguém quiser começar a reconstruir e seguir em frente, a primeira coisa que precisa aceitar são os resultados, e os resultados de hoje não foram positivos. Sofremos um revés eleitoral e precisamos aceitá-lo.

O presidente também prometeu manter seu rumo: “Quero avisar aos argentinos que o rumo que tomamos desde 2023 não vai se modificar, vai redobrar. Vamos melhorar a cada dia para ter um resultado melhor no dia 26 de outubro”.

Já Kicillof celebrou a vitória em La Plata, em comitês de campanha, sob gritos de “Axel Presidente”.

Analistas alertam que a diferença percentual expressiva sinaliza um cenário difícil para Milei na disputa nacional. “Uma vitória do peronismo acima de cinco pontos será visto pelo mercado como um resultado ruim para o governo e reagirá a partir de segunda-feira”, afirma o cientista político da UBA Facundo Cruz.

Outro fator que tornou esta eleição atípica foi a antecipação da votação. Nos últimos 40 anos, as eleições legislativas de Buenos Aires coincidiram com as nacionais, que ocorrerão em 26 de outubro. Mas o governador Kicillof decidiu adiantar a disputa por razões internas do peronismo.

A antecipação acabou coincidindo com um período delicado para Milei. Pela primeira vez em dois anos, seus índices de aprovação caíram.

A estagnação econômica, derrotas políticas no Congresso e um recente escândalo de corrupção envolvendo a irmã do presidente, Karina Milei, nacionalizaram uma disputa que seria local.

Os resultados deste domingo antecipam o cenário para outubro, quando o país todo votará para renovar metade dos assentos do Congresso e um terço do Senado nacional.

Milei precisa expandir sua bancada se quiser viabilizar suas reformas econômicas. Atualmente, A Liberdade Avança tem apenas 38 deputados de 257 e 6 senadores de 72, tornando o governo dependente de outros partidos de direita e independentes. Conflitos internos comprometeram ainda mais sua governabilidade.

Antes do escândalo envolvendo Karina Milei, os libertários esperavam vitória em distritos históricos do peronismo. Pesquisas indicavam que Milei poderia vencer sete dos oito distritos, mas a realidade foi outra: o peronismo conquistou seis dos oito, incluindo áreas que não vencia há 20 anos.

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