Israel rebaixa relações diplomáticas com Brasil, e ministro de Netanyahu chama Lula de ‘antissemita apoiador do Hamas’
(OHF) – A crise diplomática entre Brasil e Israel entrou em um novo estágio de tensão nesta semana. Na segunda-feira, 25, o governo de Benjamin Netanyahu decidiu rebaixar oficialmente o nível das relações com Brasília, após meses sem resposta do Itamaraty ao pedido de agrément para o novo embaixador, Gali Dagan, indicado em janeiro.
Segundo nota do Ministério das Relações Exteriores de Israel, divulgada pelo The Times of Israel, “após o Brasil, excepcionalmente, se abster de responder ao pedido de agrément do embaixador Dagan, Israel retirou o pedido, e as relações entre os países agora são conduzidas em um nível diplomático inferior”.
Desde 12 de agosto, a embaixada israelense em Brasília está sem titular, após a aposentadoria de Daniel Zonshine, que ocupava o posto desde 2021.
A tensão se aprofundou nesta terça-feira, 26, quando o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, atacou diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em publicação nas redes sociais, escrita em português, Katz chamou Lula de “antissemita apoiador do Hamas” e o comparou ao líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei.
A mensagem foi acompanhada por uma imagem gerada por inteligência artificial que mostra Lula como uma marionete controlada por Khamenei.
“Agora, ele [Lula] revelou sua verdadeira face como antissemita declarado e apoiador do Hamas ao retirar o Brasil da IHRA – o organismo internacional criado para combater o antissemitismo e o ódio contra Israel – colocando o país ao lado de regimes como o Irã, que nega abertamente o Holocausto e ameaça destruir o Estado de Israel. Como Ministro da Defesa de Israel, afirmo: saberemos nos defender contra o eixo do mal do islamismo radical, mesmo sem a ajuda de Lula e seus aliados”, afirmou Katz.

Não é a primeira vez que o ministro se envolve em atritos com o Brasil.
Em fevereiro de 2024, após Lula comparar a ofensiva israelense em Gaza ao extermínio promovido pelo regime nazista de Adolf Hitler contra os judeus, Katz – então chanceler de Netanyahu – levou o embaixador brasileiro em Tel Aviv, Frederico Meyer, ao Museu do Holocausto e fez uma série de declarações que aumentaram o constrangimento diplomático.
A atitude foi considerada pelo Itamaraty uma forma de humilhação e ampliou o desgaste entre os dois governos.
A chancelaria brasileira reagiu às novas declarações, classificando-as como “ofensas, inverdades e grosserias inaceitáveis”.
Em nota, o Itamaraty afirmou esperar que Katz, “em vez de habituais mentiras e agressões, assuma responsabilidade e apure a verdade sobre o ataque de ontem contra o hospital Nasser, em Gaza, que provocou a morte de ao menos 20 palestinos, incluindo pacientes, jornalistas e trabalhadores humanitários.”
O governo Lula reiterou ainda que não é contra Israel, mas contra políticas específicas do premiê Benjamin Netanyahu, alvo de críticas internacionais pela condução da guerra em Gaza.
