Netanyahu perde apoio de partidos ultrarreligiosos e passa a liderar governo de minoria em Israel

Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu - Foto: AP

(OHF) – O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sofreu um duro revés político nesta quarta-feira, 16, ao perder o apoio de mais um partido importante de sua coalizão. Com isso, seu governo passa a ser de minoria no Parlamento, em meio a uma sucessão de crises internas e externas.

O Shas anunciou sua saída da coalizão após não conseguir aprovar uma lei que manteria amplas isenções do serviço militar obrigatório para judeus ortodoxos. A decisão ocorre poucos dias depois da saída do partido Judaísmo Unido da Torá, outro aliado ultrarreligioso de Netanyahu.

Nesta situação atual, é impossível sentar com o governo e ser um parceiro dele”, declarou o ministro do Shas, Michael Malkieli, ao oficializar o rompimento.

Apesar da saída, o Shas afirmou que não pretende desestabilizar totalmente o governo e pode apoiar a coalizão em votações pontuais. Isso reduz o risco imediato de colapso da administração e evita, ao menos por ora, a convocação de eleições antecipadas.

Com o rompimento — que entra em vigor na sexta-feira, 18 — Netanyahu passa a contar com apenas 50 dos 120 assentos no Parlamento.

O líder da oposição, Yair Lapid, reagiu rapidamente e cobrou a convocação de novas eleições, mesmo com o país em guerra contra o Hamas na Faixa de Gaza.

Um governo minoritário não pode enviar soldados para o front”, afirmou Lapid em vídeo. “É hora de organizar eleições”, reforçou.

A atual coalizão foi formada em 2022 e reúne o Likud, liderado por Netanyahu, partidos de extrema direita e grupos ultraortodoxos.

A debandada dos aliados religiosos fragiliza ainda mais o governo, sobretudo diante da pressão exercida pela ala radical da coalizão, que ameaça abandoná-la caso Netanyahu aceite encerrar a guerra sem a destruição completa do Hamas.

Apesar da instabilidade, a retirada do Shas não deve interferir nas negociações em curso com o Hamas sobre um possível cessar-fogo, mediado pelos Estados Unidos.

Mesmo com um governo fragmentado, Netanyahu ainda teria margem para aprovar um eventual acordo, caso ele seja concretizado. A administração Trump tem pressionado Tel Aviv nesse sentido.

A crise política se intensifica num momento em que o Parlamento israelense se prepara para o recesso de verão, o que pode garantir a Netanyahu alguns meses de alívio legislativo.

Além dos desafios da guerra e da coalizão enfraquecida, Netanyahu também enfrenta um processo judicial por corrupção.

Seus críticos afirmam que o primeiro-ministro tenta se manter no cargo para transformar a função em uma plataforma de ataque contra promotores e juízes, o que o torna ainda mais dependente do apoio dos aliados restantes.

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