Governo Lula reage a ataques e ameaças de autoridades dos EUA ao Poder Judiciário do Brasil: ‘intromissão indevida e inaceitável’

Presidentes Lula e Donald Trump, dos EUA - Foto: Reprodução

(OHF) – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio do Ministério das Relações Exteriores, divulgou uma nota oficial nesta terça-feira, 15, em resposta aos ataques e ameaças feitas por autoridades do governo dos Estados Unidos ao Brasil e seu Poder Judiciário.

Na segunda-feira, 14, um funcionário do Departamento de Estado americano, Darren Beattie — auxiliar do secretário Marco Rubio no governo de Donald Trump — publicou nas redes sociais um texto com duras críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Alexandre de Moraes. A postagem afirmava:

O presidente Trump enviou uma carta impondo consequências há muito esperadas à Suprema Corte de Moraes e ao governo Lula por seus ataques a Jair Bolsonaro, à liberdade de expressão e ao comércio americano. Tais ataques são uma vergonha e estão muito aquém da dignidade das tradições democráticas do Brasil. As declarações do presidente Trump são claras. Estaremos observando atentamente.

A publicação foi posteriormente replicada pela Embaixada dos EUA no Brasil, intensificando o tom de ameaça. A representação diplomática americana está atualmente sob o comando do encarregado de negócios Gabriel Escobar.

Em reação, o Itamaraty afirmou que o governo brasileiro “deplora e rechaça” as declarações feitas tanto pelo Departamento de Estado quanto pela Embaixada dos EUA, classificando-as como uma “nova intromissão indevida e inaceitável em assuntos de responsabilidade do Poder Judiciário brasileiro”.

A nota enfatiza ainda que “tais manifestações não condizem com os 200 anos da relação de respeito e amizade entre os dois países”.

Leia a íntegra da nota do Ministério das Relações Exteriores do Brasil:

Manifestações indevidas do governo norte-americano

O governo brasileiro deplora e rechaça, mais uma vez, manifestações do Departamento de Estado norte-americano e da embaixada daquele país em Brasília que caracterizam nova intromissão indevida e inaceitável em assuntos de responsabilidade do Poder Judiciário brasileiro. Tais manifestações não condizem com os 200 anos da relação de respeito e amizade entre os dois países.

No que se refere ao comércio, o Brasil vem negociando com autoridades norte-americanas, desde março, questões relativas a tarifas, de interesse mútuo, e está disposto a dar sequência a esse diálogo, em benefício das economias, dos setores produtivos e das populações de ambos os países. A equivocada politização do assunto não é de responsabilidade do Brasil, país democrático cuja soberania não está e nem estará jamais na mesa de qualquer negociação.

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