China retalia EUA e impõe tarifas de 34% sobre produtos americanos; bolsas globais desabam com repercussão

Foto: Andy Wong/AP Photo

A China anunciou nesta sexta-feira, 4, tarifas de 34% sobre todos os produtos importados dos Estados Unidos, em resposta ao “tarifaço” anunciado dois dias antes pelo presidente americano, Donald Trump.

A porcentagem imposta por Pequim é idêntica à que Washington aplicará sobre produtos chineses.

Segundo o ministro das Finanças chinês, as novas taxas entram em vigor na próxima quinta-feira, 10.

Além das tarifas, a China vai restringir a exportação de terras raras para os EUA — elementos essenciais na fabricação de produtos tecnológicos como chips, computadores e celulares.

Os materiais afetados incluem samário, gadolínio, térbio, disprósio, lutécio, escândio e ítrio, com restrições válidas já a partir desta sexta.

O objetivo da implementação do governo chinês de controles de exportação sobre itens relevantes de acordo com a lei é proteger melhor a segurança e os interesses nacionais e cumprir obrigações internacionais como a não proliferação”, afirmou o Ministério do Comércio.

Outra medida anunciada por Pequim foi a inclusão de 11 empresas americanas na lista de entidades não confiáveis, por suposta cooperação militar e tecnológica com Taiwan, acusadas de “prejudicar seriamente a soberania nacional, a segurança e os interesses de desenvolvimento da China”.

Essas companhias estão agora proibidas de importar, exportar ou investir no território chinês.

A escalada entre as duas maiores economias do mundo derrubou as bolsas globais, que já vinham sofrendo com os anúncios anteriores de Trump sobre novas tarifas a produtos de vários países.

Investidores temem o impacto dessas medidas sobre a inflação global, o consumo e o crescimento da economia mundial, especialmente nos EUA.

Em território americano, os principais índices operavam em forte queda por volta das 10h45: o Dow Jones recuava 2,76%, o S&P 500 caía 3,10% e o Nasdaq tinha baixa de 3,20%.

Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 registrava queda de 3,98%.

Outras bolsas também despencavam: o DAX (Alemanha) caía 4,23%, o CAC 40 (França) 3,95%, o Itália 40 6,29%, o IBEX 35 (Espanha) 5,40% e o AEX (Holanda) 3,27%.

No Reino Unido, o FTSE 100 recuava 3,97%, após tarifas americanas de 10%. Já na Suíça, atingida por taxas de 31%, o índice SMI recuava 4,32%.

Na Ásia, os mercados também fecharam em queda: o Hang Seng (Hong Kong) caiu 1,52%, o Nikkei 225 (Japão) 2,80%, o Kospi (Coreia do Sul) 0,86%, o SET (Tailândia) 3,15% e o Nifty 50 (Índia) 1,49%.

Além da China, outros países asiáticos foram duramente atingidos pelo tarifaço dos EUA: Vietnã (46%), Bangladesh (37%), Tailândia (36%), Coreia do Sul (25%) e Japão (24%).

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