Putin sugere ‘administração transitória’ na Ucrânia sob tutela da ONU, que rejeita proposta

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, sugeriu nesta sexta-feira, 28, a criação de uma “administração transitória” na Ucrânia sob a tutela da ONU. Segundo ele, o objetivo seria organizar uma eleição presidencial “democrática” e, posteriormente, negociar um acordo de paz com o novo governo de Kiev.
“Poderíamos, claro, discutir com os EUA, até mesmo com países europeus e, claro, com nossos parceiros e amigos, sob a tutela da ONU, a possibilidade de estabelecer uma administração transitória na Ucrânia”, declarou Putin.
Ele argumentou que essa medida permitiria a chegada de “um governo competente e que teria a confiança do povo”, possibilitando, em seguida, negociações de paz e a assinatura de “documentos legítimos”.
O líder russo também ressaltou que a ONU já utilizou administrações transitórias em outras operações de manutenção da paz.
A proposta foi rapidamente rejeitada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, que reafirmou a legitimidade do atual governo ucraniano.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, classificou a sugestão como absurda e um artifício de Putin para postergar as negociações.
O Parlamento ucraniano já havia prorrogado o mandato de Zelensky em 2024 devido à impossibilidade de realizar eleições durante a guerra, como determina a constituição do país.
A declaração de Putin ocorreu durante uma visita a Murmansk, no noroeste da Rússia, após uma semana de contatos diplomáticos entre delegações dos EUA, Rússia e outros países na Arábia Saudita.
Washington busca um acordo para encerrar rapidamente o conflito, que já se arrasta há mais de três anos.
Putin também afirmou que as forças russas “tomam a iniciativa” em toda a frente de batalha e demonstrou confiança na vitória.
“Há motivos para pensar que vamos acabar com eles”, declarou, acrescentando que a ofensiva segue “talvez não tão rápido quanto gostaríamos, mas com insistência e certeza” para atingir os objetivos estabelecidos desde o início da guerra, em fevereiro de 2022.
Enquanto isso, diplomatas dos EUA e seus aliados tentam negociar medidas para reduzir as tensões no Mar Negro.
Na terça-feira, 25, o governo americano anunciou um acordo nesse sentido, mas Moscou condicionou qualquer avanço ao fim das sanções impostas pelo Ocidente.
Dois dias depois, na quinta-feira, 27, líderes europeus reunidos em Paris reafirmaram seu apoio a Kiev e descartaram suspender as sanções.
Também discutiram possíveis “garantias” de segurança para a Ucrânia, sem chegar a um consenso sobre o envio de tropas internacionais ao país.
O retorno de Donald Trump à Casa Branca e sua aproximação com Moscou aumentam as preocupações de Kiev e seus aliados sobre um possível acordo de paz que favoreça a Rússia.
Desde o início da invasão, Moscou justificou suas ações alegando a necessidade de “desmilitarizar” e “desnazificar” a Ucrânia, além de impedir sua entrada na Otan, o que considera uma ameaça direta à segurança russa.