Trump assina ordem executiva que aponta sistema eleitoral brasileiro como exemplo de segurança

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta terça-feira, 25, uma ordem executiva que altera normas eleitorais no país.
O decreto exige que eleitores apresentem documentos oficiais que comprovem sua cidadania no momento do registro para votar. No texto, Brasil e Índia são citados como exemplos de segurança eleitoral.
“Apesar do autogoverno pioneiro, os Estados Unidos agora falham em impor proteções eleitorais básicas e necessárias empregadas por nações modernas e desenvolvidas, bem como por aquelas ainda em desenvolvimento. Índia e Brasil, por exemplo, estão vinculando a identificação do eleitor a um banco de dados biométrico, enquanto os Estados Unidos dependem amplamente da autodeclaração para cidadania“, afirma o decreto assinado por Trump.
A medida determina que a Comissão de Assistência Eleitoral exija um documento emitido pelo governo para comprovar a cidadania no registro eleitoral. Passaportes e identidades serão aceitos, mas certidões de nascimento não.
Além disso, a ordem instrui autoridades estaduais e locais a registrar e verificar essas informações.
Críticos apontam que a iniciativa pode impactar milhões de eleitores. Wendy Weiser, vice-presidente de democracia do Brennan Center for Justice da New York University, afirmou ao The Washington Post que a medida dificultaria o acesso ao voto para cidadãos sem fácil acesso a esses documentos.
Ela também questiona a legalidade do decreto, alegando que o presidente não tem autoridade para anular um estatuto aprovado pelo Congresso.
A decisão também busca impedir que estados contabilizem votos enviados pelo correio após o Dia da Eleição.
Em 2023, 18 estados permitiram a contagem de cédulas postadas até a data limite, mas recebidas posteriormente.
Essa prática é comum em locais onde as regras exigem que os votos sejam enviados até o Dia da Eleição. Apesar de sua vitória em novembro, Trump continuou criticando a contagem desses votos.
Estados que não cumprirem a ordem poderão perder financiamento federal.
“Eleições livres, justas e honestas, sem fraudes, erros ou suspeitas, são fundamentais para manter nossa República constitucional“, diz o texto. “O direito dos cidadãos americanos de terem seus votos devidamente contados e tabulados, sem diluição ilegal, é vital para determinar o vencedor legítimo de uma eleição.“
Durante a assinatura, Trump reafirmou sua falsa alegação de que venceu a eleição de 2020. Ele sugeriu que mais medidas serão anunciadas em breve.
“Há outros passos que tomaremos nas próximas semanas e achamos que conseguiremos ter eleições justas“, declarou. “Este país está tão doente por causa da eleição, das eleições falsas e das eleições ruins, e vamos consertar isso de uma forma ou de outra.“