Ameaças de bomba provocam transtornos em aeroportos na Europa; autoridades apontam ‘agressão híbrida’
(OHF) — Uma onda de ameaças de bomba contra voos comerciais voltou a provocar transtornos no transporte aéreo europeu nesta sexta-feira, 6.
Os episódios, registrados pela terceira vez nesta semana, mobilizaram forças de segurança, provocaram desvios de aeronaves e levaram à adoção de protocolos especiais em diferentes países.
As ameaças começaram a atingir voos europeus na terça-feira, 3, e se intensificaram na quinta-feira, 5. Até esta sexta-feira, pelo menos 35 aeronaves haviam tido suas rotas afetadas, em ocorrências envolvendo 16 países, segundo dados da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI).
As novas ameaças atingiram pelo menos 11 voos. Entre os episódios registrados, uma aeronave da companhia Wizz Air, que seguia de Praga, na República Tcheca, para Roma, na Itália, precisou ser desviada para Veneza, onde pousou em segurança. Na Hungria, caças também escoltaram aviões comerciais após os alertas.
Apesar da gravidade das ocorrências, nenhum explosivo ou material suspeito foi encontrado. As autoridades também não registraram feridos.
A repetição das ameaças em diferentes países e a semelhança entre os procedimentos levaram especialistas em segurança a levantar a possibilidade de uma campanha coordenada de desestabilização.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, declarou que os episódios apresentam características de uma possível “agressão híbrida” e de guerra psicológica.
O conceito de agressão híbrida envolve o uso combinado de métodos não convencionais, como sabotagens, ataques cibernéticos, campanhas de desinformação e ameaças, com o objetivo de provocar instabilidade, gerar insegurança e enfraquecer instituições sem recorrer diretamente a uma ofensiva militar.
As suspeitas também estão relacionadas a outros episódios recentes de sabotagem e ataques contra infraestruturas europeias. Autoridades de diferentes países têm associado parte dessas operações a possíveis tentativas de pressionar governos que apoiam a Ucrânia na guerra contra a invasão russa.
Moscou, frequentemente apontada por autoridades europeias como responsável por operações de desestabilização, nega qualquer envolvimento. Até o momento, porém, nenhuma investigação identificou os responsáveis pelas ações.
Além de aeroportos e companhias aéreas, veículos de comunicação também foram alvos de ameaças.
Na Irlanda, a emissora pública RTÉ evacuou suas instalações em Dublin e suspendeu temporariamente a programação após receber um alerta. A búlgara NOVA TV e a britânica Sky também relataram ameaças de segurança.
