Marco Rubio nega que governo Trump tenha ajudado Flávio Bolsonaro a fugir do Brasil
(OHF) — O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou neste sábado, 31, que o governo de Donald Trump tenha ajudado a organizar a fuga do senador e candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A declaração foi dada durante uma coletiva de imprensa em Atlanta, no estado da Geórgia, após a reunião de chanceleres do G20, da qual o Brasil participou, representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Questionado sobre o envolvimento americano na operação, Rubio afirmou que Washington não participou dos preparativos. “Nós não facilitamos nada. Não estivemos envolvidos em nenhum dos arranjos que ele fez para deixar o país”, declarou. Assista abaixo:
Apesar da negativa, o secretário reconheceu que Trump autorizou a entrada de Flávio nos EUA.
Segundo Rubio, o presidente havia determinado que o senador seria admitido caso chegasse a um ponto de entrada americano. A autorização foi concedida mesmo diante do cancelamento dos passaportes brasileiros do candidato derrotado.
A declaração ocorre após reportagens do The New York Times e do The Wall Street Journal apontarem que Jason Miller, assessor e aliado político de Trump, providenciou o avião particular utilizado por Flávio e sua família na fuga.
O senador deixou o Brasil na noite de terça-feira, 27, acompanhado da esposa e das duas filhas, atravessando a fronteira com a Argentina. De lá, embarcou em uma aeronave que fez uma escala em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para Miami, na Flórida, onde desembarcou na quarta-feira, 28.
A fuga ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal (PF) no prazo de 24 horas e proibir sua saída do país. Como o senador não cumpriu a determinação, seus documentos brasileiros foram cancelados.
A decisão do magistrado está no âmbito das investigações sobre suspeitas de corrupção envolvendo o candidato derrotado e o advogado Willer Tomaz.
Na quinta-feira, 29, um grupo de 25 congressistas democratas dos EUA encaminhou uma carta ao Departamento de Estado cobrando explicações sobre a possível participação do governo americano na operação.
O documento reúne 15 perguntas sobre o conhecimento prévio da viagem, a organização do transporte, a situação migratória de Flávio e a eventual utilização de recursos oficiais para viabilizar sua entrada no país. O prazo estabelecido para a resposta é 13 de novembro.
