EUA anunciam acordo com Paraguai para que Itaipu forneça energia a empresas americanas de tecnologia

(OHF) — O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira, 21, uma parceria entre a empresa americana Crusoe e a desenvolvedora paraguaia Araico para construir uma infraestrutura de computação de alto desempenho no Paraguai, abastecida com energia de Itaipu, usina hidrelétrica binacional compartilhada entre o Brasil e seu vizinho.

Segundo o governo de Donald Trump, o projeto oferecerá serviços de computação em nuvem a clientes dos EUA e da América Latina. A primeira etapa da instalação tem previsão de entrar em operação em meados de 2027.

O anúncio ocorreu durante a visita do vice-secretário de Estado americano, Christopher Landau, ao Paraguai, entre os dias 19 e 21 de outubro. Assista abaixo:

O representante da administração Trump se reuniu com o presidente paraguaio, Santiago Peña, e o ministro das Relações Exteriores do país, Rubén Ramírez Lezcano, para discutir investimentos, comércio e cooperação bilateral.

Washington classificou o empreendimento como um dos maiores investimentos privados da história do Paraguai. No entanto, o comunicado não especificou o valor destinado à parceria, a capacidade total da instalação nem o volume de energia previsto para sua operação.

Segundo o jornal paraguaio ABC Color, a Araico desenvolve um projeto de infraestrutura para inteligência artificial (IA) com investimento anunciado de US$ 12 bilhões e demanda energética projetada de aproximadamente 280 megawatts.

Não está confirmado, porém, se esse montante corresponde ao empreendimento anunciado com a Crusoe.

Consultada, a Itaipu Binacional informou que a visita de Landau integrou uma agenda organizada pela margem paraguaia da usina, sem a participação da diretoria brasileira ou de representantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A empresa também esclareceu que não interfere nas demandas nacionais de energia e que projetos dessa natureza não são de sua competência direta.

Pelo Tratado de Itaipu, assinado em 1973, Brasil e Paraguai têm direito, cada um, a 50% da energia produzida pela usina.

A aquisição e a distribuição da eletricidade são realizadas pelas entidades nacionais de cada país: a Administração Nacional de Eletricidade (ANDE), no Paraguai, e a Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), no Brasil.

O comunicado americano não mencionou a participação do governo brasileiro no anúncio.

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