Protestos estudantis se espalham pela França; há confrontos com a polícia

(OHF) — Protestos de estudantes se espalharam pela França nesta terça-feira, 6, em uma nova jornada nacional contra as condições do sistema educacional do país.

Os atos, iniciados em meados de setembro nos subúrbios da região de Paris, ganharam força ao longo das últimas semanas e se espalharam por diversas cidades. A mobilização passou a contar também com a participação de professores, pais e organizações sindicais. Assista abaixo:

Os estudantes reivindicam, entre outros pontos, melhorias na infraestrutura das escolas, contratação e substituição de professores, redução da superlotação das salas de aula e mudanças na organização da jornada escolar.

Também há críticas às desigualdades entre estabelecimentos e às condições dos prédios escolares, especialmente em áreas mais pobres.

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Educação, as aulas foram total ou parcialmente interrompidas em cerca de 900 instituições de ensino médio nesta terça.

Em diferentes pontos do país, ocorreram confrontos com as forças de segurança. A polícia utilizou gás lacrimogêneo, enquanto grupos de manifestantes lançaram objetos, ergueram barricadas e, em alguns locais, provocaram incêndios e danos ao patrimônio.

Na segunda-feira, 5, um adolescente de 15 anos ficou gravemente ferido em Lens, no norte da França, e perdeu uma das mãos após pegar uma granada que explodiu enquanto ele participava da mobilização. Uma investigação foi aberta.

O episódio ampliou as críticas aos métodos empregados pelas forças de segurança durante a contenção dos protestos. Paralelamente, autoridades investigam denúncias de violência policial, enquanto o governo também condena os episódios de vandalismo e os ataques contra agentes públicos.

O governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu vem sendo pressionado a apresentar respostas às reivindicações.

O Executivo estabeleceu uma agenda para tratar das questões levantadas pelos estudantes, enquanto o ministro da Educação, Édouard Geffray, anunciou medidas voltadas a ouvir os alunos e preparar ações para enfrentar os problemas relatados nas escolas.

O Ministério da Educação também abriu uma consulta pública nacional, que ficará disponível até 23 de outubro. Estudantes do ensino médio poderão participar de forma anônima, relatando dificuldades, apresentando expectativas e sugerindo mudanças para melhorar sua experiência escolar.

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