Em meio a tensões com EUA, Canadá é convidado a se tornar primeiro ‘membro associado’ da União Europeia
(OHF) — Em meio ao agravamento das tensões comerciais com os Estados Unidos, o Canadá foi convidado nesta quarta-feira, 16, a se tornar o primeiro “membro associado” da União Europeia (UE).
A proposta foi apresentada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante seu discurso anual sobre o Estado da União, no Parlamento Europeu em Estrasburgo, na França, com a presença do primeiro-ministro canadense, Mark Carney.
“Gostaria de trabalhar com você para abrir a porta para que o Canadá seja o primeiro membro associado da UE”, afirmou von der Leyen. Assista abaixo:
Ela também propôs transformar a atual relação entre Bruxelas e Ottawa em uma “Aliança para o Futuro”, com maior cooperação em áreas como tecnologia, defesa, energia, minerais críticos, inteligência artificial, cibersegurança e projetos conjuntos no Ártico.
O status de “membro associado” ainda não existe formalmente na UE. Por isso, os direitos e as obrigações de um eventual novo modelo de relação ainda precisam ser definidos.
Entre as questões em aberto estão o eventual acesso do Canadá ao mercado único europeu, a participação em programas da União e a possibilidade de direitos para cidadãos canadenses viverem, estudarem ou trabalharem no bloco.
Também não está definido se um país associado teria participação ou direito de voto nas instituições continentais.
O governo de Carney vem buscando diversificar as relações comerciais e reduzir a dependência do mercado dos EUA, enquanto os dois países enfrentam uma nova rodada de tarifas e medidas de retaliação.
Em agosto, Washington impôs novas tarifas de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses, e Ottawa respondeu com tarifas equivalentes sobre produtos americanos.
Antes da declaração de von der Leyen, Carney havia afirmado que o Canadá não buscava se tornar membro pleno da União, mas sim construir uma “aliança única” com o bloco.
A UE e o Canadá já mantêm o Acordo Econômico e Comercial Global (CETA), além de acordos de parceria estratégica, pesquisa e defesa.
Em junho, o Conselho Europeu concluiu um acordo que permitiu ao Canadá tornar-se o primeiro país não europeu a participar do instrumento europeu SAFE, voltado à aquisição e ao fortalecimento da indústria de defesa.
A proposta ainda depende de negociações e da concordância dos países-membros da União. O aprofundamento da relação entre os dois lados deverá ser discutido na próxima cúpula Canadá-UE, prevista para ocorrer em Montreal, no fim de outubro.
A iniciativa também provocou reação em Washington. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que uma eventual associação do Canadá à UE poderia ser considerada um “ato hostil”, dependendo da intenção de Bruxelas, e ameaçou impor tarifas adicionais ao bloco caso entendesse que a medida fosse direcionada contra seu país.
