Caso Master-Dark Horse: Mendonça homologa delação de empresário que fez repasses para filme sobre Bolsonaro
(OHF) — O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta quarta-feira, 9, o acordo de colaboração premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, empresário e operador financeiro de Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Segundo apurações, Freixo afirmou ter realizado sete transferências para o Havengate Development Fund LP, nos Estados Unidos, a mando de Vorcaro. Os repasses, feitos em 2025, somaram US$ 12,3 milhões e foram destinados ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
As transferências foram realizadas por meio da Entre Investimentos e Participações, de Freixo.
De acordo com as investigações e os relatos do delator, a empresa teria sido utilizada para operacionalizar movimentações financeiras determinadas pelo dono do Master.
Freixo também relatou às autoridades outras operações envolvendo dinheiro em espécie e afirmou ter atuado na movimentação de valores a pedido do ex-banqueiro.
No início do ano, o portal The Intercept Brasil divulgou áudios do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) nos quais ele cobra de Vorcaro financiamento para a cinebiografia de seu pai. O senador confirmou a informação, mas negou qualquer irregularidade.
O Havengate Development Fund é sediado no Texas e aparece nas investigações como o veículo utilizado para receber recursos destinados ao filme e, posteriormente, encaminhá-los à Go Up Entertainment, produtora responsável pela obra.
O fundo é administrado por Paulo Calixto e pelo corretor de imóveis Altieris Santana. O primeiro é advogado ligado ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e já atuou em questões migratórias relacionadas ao político nos EUA.
A colaboração foi negociada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e encaminhada ao STF. A homologação ocorreu após audiência destinada a verificar, entre outros pontos, a voluntariedade do acordo.
O fluxo financeiro do Dark Horse é alvo de investigação. Documentos e perícias citados nas apurações indicam que o Havengate recebeu valores superiores aos US$ 10,6 milhões inicialmente identificados em transferências atribuídas a Vorcaro. O conteúdo da delação elevou o montante informado por Freixo para US$ 12,3 milhões em sete operações.
A origem e a destinação integral dos recursos continuam sob investigação. Uma perícia apresentada pela defesa da Go Up Entertainment apontou custo de aproximadamente US$ 13,39 milhões para a produção do filme, equivalente a cerca de R$ 75 milhões, e indicou o Havengate como responsável pelos aportes. O documento, porém, não esclareceu integralmente a origem dos recursos que abasteceram o fundo.
As investigações também examinam a cronologia dos pagamentos. Segundo documentos divulgados pela imprensa, o primeiro repasse, de US$ 2 milhões, ocorreu em 13 de fevereiro de 2025, antes da assinatura, em 24 de fevereiro, do contrato de investimento entre o Havengate e a produtora do filme.
