Putin visita uma das ilhas disputadas por Rússia e Japão nas Curilas; Takaichi protesta

(OHF) — O presidente da Rússia, Vladimir Putin, visitou nesta quinta-feira, 13, Iturup, uma das quatro ilhas meridionais das Curilas disputadas com o Japão. Foi a primeira vez que ele esteve no arquipélago desde que assumiu o poder, e a viagem provocou um forte protesto do governo da primeira-ministra Sanae Takaichi. Assista abaixo:

A ilha, conhecida como Etorofu no Japão, é controlada pela Rússia, mas reivindicada por Tóquio como parte dos chamados Territórios do Norte. As outras três ilhas em disputa são Kunashir, Shikotan e as ilhotas Habomai. O arquipélago fica ao norte de Hokkaido.

A disputa tem raízes no século XIX. Em 1855, Rússia e Japão estabeleceram, pelo Tratado de Shimoda, uma fronteira entre os dois países que passava entre Iturup e Urup, deixando a primeira sob controle japonês.

Em 1875, os dois países assinaram um novo acordo, pelo qual o Japão recebeu o conjunto das Ilhas Curilas em troca da cessão de seus direitos sobre Sacalina à Rússia.

A situação mudou durante a Segunda Guerra Mundial, quando a União Soviética declarou guerra ao Japão e ocupou as quatro ilhas meridionais entre o fim de agosto e o início de setembro de 1945. Desde então, Moscou mantém o controle sobre o território, enquanto Tóquio reivindica sua soberania.

Em 1951, o Japão renunciou, pelo Tratado de Paz de São Francisco, a seus direitos sobre as Ilhas Curilas. No entanto, o acordo não especificou a quem elas seriam atribuídas, e a URSS não assinou o documento. Tóquio sustenta ainda que as quatro ilhas meridionais não fazem parte das Curilas às quais abriu mão.

A viagem de Putin faz parte de uma agenda mais ampla pelo Extremo Oriente russo. Em Iturup, ele visitou uma fábrica de processamento de pescado, uma escola e um hospital, além de se reunir com o governador da região de Sacalina, Valery Limarenko.

A visita também marca o retorno de um presidente russo às ilhas disputadas 16 anos depois de Dmitry Medvedev, que esteve em Iturup em 2010.

O governo japonês reagiu imediatamente, classificando a viagem como “absolutamente inaceitável” e afirmando que ela “ofende os sentimentos do povo japonês”. Segundo Takaichi, a medida também dificulta os esforços para melhorar as relações entre os dois países.

O ministro das Relações Exteriores do Japão, Toshimitsu Motegi, apresentou um protesto formal contra a visita e reafirmou a posição de Tóquio. A chancelaria também convocou o embaixador russo, Nikolai Nozdrev, para transmitir a reclamação. Moscou, por sua vez, rejeitou as críticas.

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