Governo Trump planeja interferir nas eleições brasileiras enviando autoridades americanas para desacreditar urnas eletrônicas
(OHF) – O governo do presidente Donald Trump pretende enviar duas altas autoridades dos Estados Unidos a Brasília em uma missão que, segundo o jornal The Washington Post, teria como objetivo questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro antes do pleito de outubro.
A informação foi publicada com base em relatos de autoridades americanas familiarizadas com o planejamento e, posteriormente, confirmada de forma independente pela agência Reuters.
De acordo com as duas reportagens, a iniciativa integra uma estratégia mais ampla da administração Trump para o Brasil e ocorre em meio ao agravamento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington.
A delegação seria composta pelos conservadores Riley M. Barnes, secretário-assistente do Departamento de Estado para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel Samson, secretário-assistente adjunto do Departamento de Estado.
Em resposta ao The Washington Post, o Departamento de Estado confirmou apenas que Barnes e Samson planejavam viajar a Brasília na próxima semana, mas não esclareceu o objetivo da visita nem confirmou que a missão teria a finalidade de questionar o sistema eleitoral brasileiro.
Segundo a Reuters, duas autoridades brasileiras afirmaram que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou os pedidos de visto apresentados pelos integrantes da delegação, o que impediria, ao menos por enquanto, a realização da viagem.
Ainda segundo o The Washington Post, o Itamaraty classifica a iniciativa como uma tentativa de interferência nos assuntos internos do país. De acordo com a reportagem, os enviados pretendiam se reunir com críticos do sistema eleitoral brasileiro e elaborar um relatório que poderia ser utilizado para colocar em dúvida a credibilidade das urnas eletrônicas em benefício de eventuais derrotados no pleito.
Caso a missão seja efetivamente realizada, ela representará uma mudança significativa em relação à postura adotada pelos EUA durante as eleições brasileiras de 2022.
Na ocasião, sob o governo do então presidente Joe Biden, autoridades americanas manifestaram confiança no sistema brasileiro e defenderam publicamente a credibilidade das urnas antes e depois da votação.
A reportagem também destaca que as missões internacionais de observação que acompanharam as eleições brasileiras, incluindo o pleito de 2022, concluíram que o sistema do país é seguro e que o processo transcorreu de forma transparente, íntegra e legítima.
