EUA oficializam novo tarifaço contra o Brasil após investigação aberta em meio às articulações da família Bolsonaro
(OHF) – O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, oficializou, na noite desta quarta-feira, 15, a aplicação de um novo tarifaço contra produtos brasileiros, concluindo a investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
O presidente Donald Trump acatou a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) e determinou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre mais de quatro mil produtos brasileiros, atingindo cerca de US$ 15 bilhões em exportações anuais.
Ficaram de fora da lista alguns itens estratégicos, como carne bovina, café, terras raras e peças de aeronaves.
A medida é resultado da investigação iniciada em 15 de julho de 2025, poucos dias após Trump anunciar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.
Na ocasião, o presidente americano justificou publicamente a sobretaxa com críticas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), classificando o processo como uma “caça às bruxas”.
Paralelamente, o USTR abriu a investigação com base na Seção 301, alegando possíveis práticas desleais por parte do governo brasileiro.
Embora a investigação tenha sido formalmente fundamentada em questões comerciais, ela ocorreu em meio à escalada das tensões políticas entre Washington e Brasília e foi acompanhada por uma intensa articulação da família Bolsonaro nos EUA.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o jornalista Paulo Figueiredo mantiveram contatos com integrantes do governo Trump e defenderam a adoção de medidas contra o Brasil, enquanto criticavam o STF e o andamento do processo contra Jair Bolsonaro.
À época, ambos comemoraram publicamente a abertura da investigação e a imposição das primeiras tarifas, tratando as medidas como instrumentos de pressão sobre o governo e o Judiciário brasileiro.
Ao concluir a investigação, o USTR reiterou que considera problemáticas políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital e aos serviços de pagamento eletrônico, incluindo o Pix, além de tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e ações de combate ao desmatamento ilegal.
Segundo o órgão, essas práticas impõem restrições ou encargos ao comércio dos EUA, justificando a adoção de medidas retaliatórias previstas na Seção 301.
O governo brasileiro rejeita as acusações e sustenta que a investigação possui forte componente político.
Em carta enviada ao USTR, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que Washington não comprovou as alegações apresentadas durante o processo e classificou a investigação como “arbitrária” e parte de uma estratégia de pressão econômica contra o Brasil.
Apesar da nova rodada de tarifas, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda avalia que o impacto sobre a economia brasileira deverá ser limitado, uma vez que diversos dos principais produtos exportados para os EUA ficaram fora da lista de sobretaxas.
