Governo Trump avalia suspender Espanha da OTAN e rever apoio dos EUA à posição britânica sobre Malvinas

Presidente dos EUA, Donald Trump — Foto: AP

(OHF) — Um e-mail interno do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, revelado pela Reuters nesta sexta-feira, 24, expõe a irritação do governo Donald Trump com aliados europeus da OTAN.

O documento, que circula entre integrantes do alto escalão do Pentágono, elenca possíveis retaliações a países considerados pouco engajados na guerra contra o Irã.

Entre as medidas, estão a suspensão da Espanha da aliança e a revisão da posição americana sobre a soberania britânica nas Ilhas Malvinas (Falklands).

Elaborado por Elbridge Colby, principal assessor de política do Departamento de Defesa, o texto critica aliados que negaram acesso a bases militares e ao espaço aéreo para operações contra o regime iraniano — permissões conhecidas como ABO.

Segundo o documento, esses direitos representam “o mínimo absoluto esperado de um membro da OTAN”.

Sob condição de anonimato, um oficial americano disse à Reuters que a intenção é enviar um recado duro, buscando “diminuir o senso de direito por parte dos europeus”.

A Espanha aparece como principal alvo. Desde o início do conflito, o governo de Pedro Sánchez recusou o uso de bases conjuntas e fechou o espaço aéreo a aeronaves americanas envolvidas na guerra.

Os EUA mantêm no país a Naval Station Rota e a Base Aérea de Morón.

A tensão, no entanto, antecede o episódio. Madri já havia resistido à pressão de Trump para elevar os gastos militares a 5% do PIB, sendo o único país a não aderir à meta.

Em março, Trump afirmou ter ordenado ao secretário do Tesouro, Scott Bessent, o corte de relações comerciais com a Espanha.

Questionado durante uma cúpula da União Europeia no Chipre, Sánchez disse estar “absolutamente tranquilo” e afirmou que seu governo “não trabalha com base em e-mails, mas em documentos oficiais e posições formais”, reiterando “colaboração absoluta com os aliados, sempre dentro do marco da legalidade internacional”.

Na Europa, houve manifestações de apoio a Madri. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, declarou que a OTAN “deve permanecer unida”, enquanto um porta-voz alemão disse não haver “nenhuma razão para que a situação mude”.

O e-mail também menciona a revisão do apoio americano a “possessões imperiais” europeias, incluindo as Ilhas Malvinas — administradas pelo Reino Unido desde 1834 e reivindicadas pela Argentina, cujo presidente Javier Milei é aliado de Trump.

O país sul-americano invadiu o território em 1982, mas foi derrotado militarmente dois meses depois.

Um porta-voz do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou: “A posição do Reino Unido é clara, histórica e inalterada. A soberania pertence ao Reino Unido, e o direito à autodeterminação dos ilhéus é primordial.”

Milei adotou tom cauteloso. Embora priorize laços com o Reino Unido, declarou: “Estamos fazendo tudo humanamente possível para que as Malvinas retornem às mãos da Argentina. A soberania é inegociável, mas deve ser tratada com inteligência.”

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