Soldado israelense destrói estátua de Jesus em vilarejo cristão no sul do Líbano

(OHF) — Um soldado do Exército israelense foi flagrado destruindo uma estátua de Jesus Cristo em um vilarejo cristão no sul do Líbano.

A imagem, divulgada na rede social X pelo jornalista palestino Younis Tirawi, mostra um militar das Forças de Defesa de Israel (IDF) utilizando uma marreta para golpear a cabeça da escultura, que já havia caído de sua cruz.

Soldado israelense destrói estátua de Jesus em vilarejo cristão no sul do Líbano — Foto: Reprodução/X

O registro foi feito no vilarejo maronita de Debel, na região de Nabatieh, localizado a cerca de seis quilômetros de Ain Ebel e a cinco quilômetros da fronteira com Israel.

A localidade segue sob ocupação militar das IDF desde o início das operações terrestres mais recentes, em 16 de março.

O episódio ocorreu poucos dias após a entrada em vigor de um cessar-fogo de dez dias entre Israel e o Hezbollah, acordado em 16 de abril.

A reação da comunidade local foi imediata. “Certamente condenamos esse vergonhoso ato, porque ele ofende nossos sentimentos religiosos e é um ataque às nossas crenças sagradas”, afirmou Maroun Nassif, vice-administrador da vila, à CNN.

Diante da repercussão, as IDF se manifestaram em dois momentos.

Inicialmente, o porta-voz, tenente-coronel Nadav Shoshani, declarou que o exército estava “examinando a autenticidade da foto” e que, “se for realmente uma imagem real e recente, essas ações não estão alinhadas com os valores das IDF”.

Após a confirmação da veracidade do registro, as forças israelenses divulgaram uma nota oficial afirmando que “a conduta do soldado é totalmente inconsistente com os valores esperados de suas tropas”.

O comunicado também informou que o caso será investigado pelo Comando Norte e que “medidas apropriadas serão tomadas contra os envolvidos, de acordo com as conclusões”.

Além disso, o exército se comprometeu a colaborar com a comunidade cristã de Debel na restauração da imagem danificada.

O episódio também provocou reações no cenário político israelense.

Dois deputados árabes do Knesset criticaram o ocorrido. Ayman Odeh ironizou: “Vamos aguardar o porta-voz da polícia dizer que ‘o soldado se sentiu ameaçado por Jesus’.”

Já Ahmad Tibi adotou um tom mais direto, escrevendo no Facebook que “quem explode mesquitas e igrejas em Gaza e cospe no clero cristão em Jerusalém, sem punição, não tem medo de destruir uma estátua de Jesus Cristo e publicar isso”.

Ele acrescentou ainda críticas mais amplas, questionando se “esses racistas também aprenderam com Donald Trump a insultar Jesus e o Papa Leão”, em referência a uma imagem gerada por IA que retratava o presidente americano como uma figura semelhante a Cristo, além de declarações contra o líder da Igreja Católica.

A repercussão ultrapassou Israel e chegou aos Estados Unidos. A ex-congressista republicana Marjorie Taylor Greene comentou de forma irônica: “‘Nosso maior aliado’, que recebe bilhões dos nossos impostos e armas todo ano.”

Autoridades locais também relataram danos a outros locais religiosos no sul do Líbano. Entre eles, o Santuário de Shamaoun al-Safa, situado na aldeia de Shama, que teria sido afetado durante as operações militares israelenses.

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