EUA expulsam delegado brasileiro que atuou na prisão de Ramagem na Flórida

(OHF) — O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos Estados Unidos anunciou, no início da noite desta segunda-feira, 20, a expulsão do delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo de Carvalho (foto) do território americano.

Segundo autoridades em Washington, a medida foi adotada porque o agente brasileiro teria tentado “contornar pedidos formais de extradição” para promover “perseguições políticas” em solo dos EUA.

O nome de Carvalho está ligado à prisão do ex-deputado federal bolsonarista Alexandre Ramagem (PL-RJ).

“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para, ao mesmo tempo, contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, solicitamos que a autoridade brasileira em questão deixe nosso país por tentar fazer isso”, afirmou o órgão em publicação na rede X.

Ramagem foi detido em 13 de abril, em Orlando, na Flórida, pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE).

Na ocasião, a PF informou que a prisão ocorreu por questões migratórias e que ele foi encaminhado a um centro de detenção. Dois dias depois, o ex-deputado foi liberado.

Após a soltura, Ramagem divulgou um vídeo no qual agradeceu à cúpula do governo Donald Trump. Ele afirmou que sua liberação teve caráter administrativo, sem abertura de processo judicial ou pagamento de fiança.

O ex-deputado deixou o Brasil em 2025, após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele é apontado como integrante do núcleo central da trama que buscava manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder.

Em janeiro deste ano, o Ministério da Justiça do Brasil informou ao STF que o pedido de extradição havia sido encaminhado ao governo dos EUA.

A documentação foi enviada pela Embaixada brasileira em Washington ao Departamento de Estado americano em 30 de dezembro de 2025.

Aliados afirmam que Ramagem solicitou asilo político nos EUA.

Paralelamente, o ministro Alexandre de Moraes determinou a inclusão do nome do ex-deputado bolsonarista na lista da Interpol.

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