Oposição vence eleições parlamentares na Hungria, e era Orbán chega ao fim após 16 anos

Oposicionista Péter Magyar, líder do partido Tisza, e Viktor Orbán, do partido Fidesz — Foto: Reuters

(OHF) — A oposição venceu as eleições parlamentares húngaras realizadas neste domingo, 12, pondo fim a 16 anos consecutivos de governo direitista nacionalista de Viktor Orbán (foto, à direita).

Mesmo antes da conclusão da apuração, com cerca de 60% dos votos contabilizados, o primeiro-ministro reconheceu a derrota. Orbán telefonou para o adversário Péter Magyar (foto, à esquerda), líder do partido de centro-direita Tisza, para parabenizá-lo pela vitória.

Considerada por analistas e pela imprensa europeia como a eleição mais relevante do continente em 2026 — e a mais decisiva da Hungria desde a queda do comunismo, em 1989 —, a disputa colocou frente a frente Orbán e um ex-aliado que rompeu com o governo após um escândalo de corrupção, tornando-se o principal nome da oposição.

De acordo com as projeções divulgadas após o fechamento das urnas, o Tisza deve conquistar entre 132 e 135 das 199 cadeiras do Parlamento húngaro, com cerca de 57% dos votos. Já o Fidesz, partido de Orbán, aparece com 38% a 40%.

Para formar maioria simples, são necessários 100 assentos. Já a supermaioria de dois terços — que permite alterar a Constituição, prerrogativa exercida por Orbán ao longo de mais de uma década — exige ao menos 133 cadeiras.

“O primeiro-ministro Viktor Orbán nos parabenizou pela vitória”, escreveu Magyar nas redes sociais, pouco antes de o premiê se pronunciar publicamente. Em seguida, o líder oposicionista publicou: “Obrigado, Hungria.”

A participação foi recorde. Mais de 77,8% dos eleitores aptos compareceram às urnas até as 18h30, no horário local. Já nas primeiras horas do dia, às 9h, a adesão superava em mais do que o dobro o recorde registrado no mesmo horário nas eleições de 2002.

Magyar, de 43 anos, é advogado e ex-integrante do governo. Ele rompeu com Orbán no início de 2024, após a então presidente Katalin Novák conceder perdão a um condenado por envolvimento em um caso de abuso sexual infantil.

O episódio levou à renúncia de Novák e também da ex-ministra da Justiça Judit Varga, que é ex-esposa de Magyar.

A partir desse momento, o político passou a denunciar publicamente o que classificou como corrupção sistêmica no governo e fundou o Tisza — sigla para Respeito e Liberdade. Nas eleições para o Parlamento Europeu, em 2024, o partido ficou em segundo lugar, com quase 30% dos votos, alcançando o melhor desempenho de uma legenda de oposição húngara desde 2006.

O pleito deste domingo foi acompanhado de perto por atores internacionais, incluindo a União Europeia, os Estados Unidos e a Rússia.

Relatórios de inteligência europeia divulgados em março indicaram que o serviço de inteligência militar russo teria enviado agentes a Budapeste para auxiliar a campanha de reeleição de Orbán.

Já em 8 de abril, quatro dias antes da votação, um consórcio de jornalistas investigativos publicou transcrições de ligações entre o ministro das Relações Exteriores da Hungria e autoridades russas, sugerindo articulação com Moscou para enfraquecer sanções impostas à Rússia no âmbito da União Europeia.

Orbán governa a Hungria desde 2010. Ao longo de 16 anos, promoveu mudanças na Constituição, concentrou poderes, restringiu a atuação da imprensa independente e venceu quatro eleições consecutivas.

No cenário internacional, consolidou-se como um dos principais nomes da direita populista europeia, mantendo relações próximas com o autocrata russo Vladimir Putin e recebendo apoio do presidente americano Donald Trump, que chegou a enviar seu vice, JD Vance, para um comício na Hungria dias antes da eleição, além de prometer ajuda financeira ao país.

A estagnação econômica por três anos, somada às denúncias de enriquecimento de aliados do governo, foi determinante para a mudança no cenário político.

Antes da votação, Orbán havia afirmado que deixaria a presidência do Fidesz — partido que cofundou em 1988 — em caso de uma derrota expressiva.

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