Nasa divulga primeiras imagens da Terra capturadas pela missão Artemis II

Foto da Terra capturada pelo comandante da missão Artemis II, astronauta Reid Wiseman - Foto: Nasa

(OHF) — A Nasa divulgou nesta sexta-feira, 3, em suas redes sociais, as primeiras imagens da Terra capturadas pela missão Artemis II, após a manobra de injeção translunar realizada na noite de quinta-feira, 2.

Os registros foram feitos pelo comandante Reid Wiseman, através da janela da cápsula Orion. A tripulação dispõe de celulares, câmeras profissionais mirrorless Nikon Z9 e GoPros a bordo para a captura de imagens.

“É como sair no quintal de casa e tentar tirar uma foto da Lua. É assim que me sinto agora tentando fotografar a Terra”, disse Wiseman ao controle da missão em Houston enquanto registrava as imagens.

Foto da Terra capturada pelo comandante da missão Artemis II, astronauta Reid Wiseman – Foto: Nasa

A primeira foto, intitulada pela Nasa de “Olá, Mundo”, mostra a Terra como um crescente azul e branco, parcialmente iluminado, no momento em que o planeta eclipsa o Sol.

Nela, é possível ver duas auroras — no canto superior direito e no canto inferior esquerdo —, a luz zodiacal no canto inferior direito e, à esquerda, uma faixa marrom correspondente ao continente africano. A imagem foi escolhida como foto do dia pela agência espacial.

Foto da Terra capturada pelo comandante da missão Artemis II, astronauta Reid Wiseman – Foto: Nasa

Uma segunda imagem, também feita por Wiseman, mostra o planeta por inteiro, em tons de azul e marrom, com uma aurora verde iluminando a atmosfera. O comandante a considerou a mais impressionante da missão até o momento.

“Dá para ver o globo inteiro, de polo a polo. É possível ver a África, a Europa. Se você olhar bem de perto, consegue ver a aurora boreal. Foi o momento mais espetacular, e nos deixou paralisados”, afirmou.

Foto da Terra capturada pelo comandante da missão Artemis II, astronauta Reid Wiseman – Foto: Nasa

As outras duas fotografias divulgadas mostram, respectivamente, o terminador — a linha divisória entre o dia e a noite — atravessando o planeta, e as luzes da atividade humana na superfície terrestre, com a borda da Terra iluminada pelo Sol.

Christina Koch, especialista de missão, descreveu uma Terra “iluminada como se fosse dia e banhada pelo brilho da Lua”.

Jeremy Hansen, astronauta canadense e único não americano da tripulação, relatou ao controle em Houston: “Estamos tendo uma vista simplesmente deslumbrante do lado oculto da Terra iluminado pela Lua. Fenomenal. Nenhum de nós consegue almoçar porque estamos grudados na janela.”

Esta é a primeira vez desde 1972 que astronautas deixam a órbita terrestre rumo ao satélite natural. A missão foi lançada às 19h35 (horário de Brasília) de quarta-feira, 1º, do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.

A manobra de injeção translunar, realizada na noite de quinta, colocou a Orion na chamada trajetória de retorno livre — um caminho que leva a nave até a Lua e depois a traz de volta à Terra utilizando a gravidade lunar, com necessidade mínima de ajustes.

Com a rota definida, a tripulação segue agora em direção à Lua, testando sistemas críticos de suporte de vida, comunicação e navegação fora do alcance de satélites terrestres.

O objetivo é avaliar os sistemas da nave com astronautas a bordo, em um voo de cerca de 10 dias que dará a volta na Lua antes de retornar à Terra. A missão Artemis II não prevê pouso na superfície lunar.

No final do dia 5 de abril, a Orion entra na esfera de influência gravitacional da Lua, ponto em que a atração lunar passa a ser maior do que a terrestre.

O momento mais aguardado acontecerá no dia 6, quando a nave passará a poucos milhares de quilômetros da superfície lunar — e os astronautas estabelecerão um novo recorde de distância percorrida por humanos, superando em mais de 6.400 km a marca da Apollo 13, de 1970.

Nesse trecho, a Orion cruza o lado oculto da Lua e fica sem comunicação com a Terra por cerca de 30 a 50 minutos.

Após o sobrevoo, a missão entra na fase de retorno. O encerramento está previsto para 10 de abril, quando a cápsula entrará na atmosfera terrestre em altíssima velocidade e pousará no Oceano Pacífico, onde será resgatada.

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