No Texas, Flávio Bolsonaro pede pressão diplomática dos EUA contra o Brasil nas eleições
(OHF) — O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, defendeu neste sábado, 28, que os Estados Unidos exerçam pressão diplomática sobre o Brasil para que as eleições de outubro ocorram sob o que chamou de “valores de origem americana”.
“Apliquem pressão diplomática para que nossas instituições funcionem adequadamente. Em vez da administração Biden ‘interferir’ em nossas eleições para instalar um socialista que odeia a América [EUA], aplicar pressão diplomática por eleições livres e justas baseadas em valores de origem americana — essa é uma boa mudança de política externa para a região, não é?”, disse o “01” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A declaração foi feita durante discurso na Conservative Political Action Conference (CPAC), realizada no Texas, nos EUA.
O encontro é um dos principais fóruns do conservadorismo global e reúne lideranças e apoiadores alinhados ao presidente Donald Trump.
Dirigindo-se diretamente ao público americano, Flávio pediu que Washington e o que chamou de “mundo livre” acompanhem de perto o processo eleitoral brasileiro, com atenção à liberdade de expressão nas redes sociais, e pressionem institucionalmente para assegurar eleições “livres e justas”.
Na abertura do discurso, o senador tentou traçar paralelos entre seu pai e Trump, alegando que Jair Bolsonaro estaria preso e condenado a 27 anos por motivação política, classificando o processo como “lawfare”.
O termo, usado pelo pré-candidato, refere-se ao uso de instrumentos jurídicos como ferramenta para perseguir, deslegitimar ou eliminar adversários políticos, econômicos ou sociais.
O ex-presidente brasileiro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por seu papel na trama golpista pós-eleições de 2022, em que perdeu para o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva.
Flávio também alegou que seu pai enfrentou o que chamou de “tirania da Covid”, sem detalhar a declaração, durante a pandemia, quando mais de 700 mil pessoas morreram da doença, das quais 693 mil entre 12 de março de 2020 e 31 de dezembro de 2022, no governo Bolsonaro.
Em seguida, o “01” reforçou a narrativa de proximidade entre Jair Bolsonaro e os EUA, afirmando que o brasileiro teria sido o aliado internacional mais leal de Washington.
O senador ainda acusou o governo do ex-presidente democrata Joe Biden de interferir nas eleições brasileiras de 2022. Para sustentar a alegação, citou um suposto financiamento — não comprovado — por meio da USAID, além de apoio indireto ao retorno de Lula ao poder.
Segundo Flávio, o futuro do hemisfério ocidental passa pelo Brasil, devido ao tamanho do território, à população, ao peso econômico e, sobretudo, à abundância de recursos minerais estratégicos, como as terras raras — essenciais para as indústrias tecnológica e militar.
Aliados de Trump na América Latina frequentemente utilizam as riquezas de seus próprios países como argumento para atrair maior interesse e influência dos EUA na região.
Ao longo do discurso, Flávio também criticou a revogação, por parte do governo Lula, do visto de Darren Beattie, assessor da Presidência dos EUA para temas relacionados ao Brasil.
Beattie pretendia visitar o país para participar de um evento sobre recursos minerais e também se encontrar com Jair Bolsonaro na Papudinha, onde o ex-presidente cumpria pena na época.
Com base no princípio da reciprocidade, o Itamaraty alegou que o diplomata não informou integralmente sua agenda — exigência padrão nesse tipo de procedimento, inclusive adotada pelos próprios EUA.
Por fim, Flávio acusou o governo Lula de atuar para impedir que facções criminosas brasileiras sejam classificadas como organizações terroristas.
O Palácio do Planalto e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) de fato não concordam com a medida, pois apontam que essa classificação pode abrir espaço para ataques militares dos EUA no Brasil e a imposição de sanções que possam afetar operações de bancos e serviços financeiros nacionais.
O bolsonarismo, por sua vez, minimiza esses alertas e mantém a exploração política do tema em meio ao cenário eleitoral.
