Eduardo e Flávio Bolsonaro pressionam governo Trump a classificar PCC e CV como terroristas, diz NYT

Eduardo e Flávio Bolsonaro — Foto: Adriano Machado/Reuters

(OHF) — Os Estados Unidos avaliam a possibilidade de classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

A discussão ganhou força após pressão de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sobretudo de dois de seus filhos, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo reportagem publicada nesta sexta-feira, 27, pelo The New York Times.

De acordo com o jornal americano, Flávio chegou a viajar a Washington no ano passado, acompanhado de Eduardo, para se reunir com integrantes da Casa Branca. Na ocasião, ele apresentou um relatório sobre a atuação dessas facções no Brasil e no exterior.

Ainda segundo o NYT, a proposta vem sendo analisada nas últimas semanas pelo Departamento de Estado dos EUA, com base em avaliações de que PCC e CV atuam como organizações criminosas transnacionais, envolvidas em tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. Até o momento, não há decisão tomada.

Oficialmente, Washington não comentou a possível designação, mas afirmou, em nota, que considera as duas maiores facções brasileiras como “ameaças significativas à segurança regional”.

Desde o início de seu mandato, o presidente Donald Trump tem defendido ampliar o uso da classificação de organizações terroristas para incluir grupos ligados ao crime organizado na América Latina, especialmente aqueles com atuação além das fronteiras nacionais.

A designação, se confirmada pelo Departamento de Estado, implicaria uma série de sanções, como o congelamento de ativos sob jurisdição americana, restrições ao sistema financeiro internacional e punições a indivíduos ou entidades que prestem qualquer tipo de apoio material aos grupos.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se opõe à medida. Segundo autoridades brasileiras, PCC e CV não possuem motivação ideológica ou política — requisito central para a caracterização de terrorismo na legislação do país —, mas sim financeira, sendo, portanto, enquadrados como organizações criminosas ultraviolentas.

O tema já foi tratado diplomaticamente entre os dois países. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, comunicou ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a intenção de avançar com a proposta.

O Palácio do Planalto teme que a medida abra espaço político e jurídico para ações militares em território brasileiro, além da imposição de sanções que possam afetar operações de bancos nacionais.

Já o bolsonarismo, por sua vez, tem explorado o tema politicamente em meio ao cenário eleitoral, acusando o governo Lula de adotar uma postura leniente no combate ao crime organizado.

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