Caso Master: Toffoli admite ser sócio de empresa que vendeu resort e nega ter recebido pagamentos de Vorcaro
(OHF) — O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou nesta quinta-feira, 12, nota para esclarecer sua participação societária na empresa Maridt e negar qualquer vínculo pessoal ou financeiro com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master e alvo de investigações da Polícia Federal (PF).
Relator na Corte de processos relacionados ao Master, Toffoli reconhece que integra o quadro societário da Maridt, mas sustenta que não exerce funções de administração, que estariam a cargo de familiares.
Segundo a nota divulgada por seu gabinete, essa condição está em conformidade com a Lei Orgânica da Magistratura (Loman), que proíbe magistrados de praticar atos de gestão, mas não de participar do capital de empresas.
De acordo com o comunicado, a Maridt é uma empresa familiar estruturada como sociedade anônima de capital fechado, regularmente registrada na Junta Comercial e com declarações fiscais apresentadas à Receita Federal.
Ainda segundo o comunicado, tanto a empresa quanto seus acionistas tiveram suas declarações “devidamente aprovadas”.
Toffoli informa que a Maridt integrou o grupo Tayayá Ribeirão Claro, responsável pelo resort Tayayá, no Paraná, até 21 de fevereiro de 2025.
A saída ocorreu por meio de duas operações sucessivas: a venda de cotas ao Fundo Arleen, em 27 de setembro de 2021 — controlado pela Reag, gestora de investimentos ligada ao Master, alvo de operação da PF em agosto do ano passado —; e, posteriormente, a alienação do saldo remanescente à PHB Holding, em 21 de fevereiro de 2025, com a venda das cotas restantes.
O gabinete afirma que todas as transações foram informadas à Receita Federal e realizadas “dentro de valor de mercado”, embora os valores envolvidos não tenham sido divulgados.
Interlocutores relatam que Toffoli recebeu dividendos da Maridt enquanto a empresa ainda fazia parte do grupo responsável pelo resort Tayayá.
A nota acrescenta que a ação referente à tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) foi distribuída ao ministro em 28 de novembro de 2025, “quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro”.
Por fim, Toffoli afirma não conhecer o gestor do Fundo Arleen e nega qualquer relação pessoal com Daniel Vorcaro ou com seu cunhado, Fabiano Zettel — preso pela PF em janeiro.
Segundo o comunicado, o ministro “jamais recebeu qualquer valor” de ambos.
