Trump dá à Ucrânia uma semana para se posicionar sobre ‘plano de paz’; Zelensky fala em dilema e Putin faz ameaça
(OHF) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 21, que a Ucrânia tem até a próxima quinta-feira, 27, para se posicionar sobre o “plano de paz” de 28 pontos enviado pela Casa Branca — uma proposta que, segundo fontes e especialistas, representa uma capitulação de Kiev à Rússia.
O documento limita o tamanho das Forças Armadas ucranianas, impede a entrada do país na Otan e prevê concessões territoriais em áreas reivindicadas por Moscou. O texto também propõe mecanismos para o alívio gradual das sanções impostas ao regime de Vladimir Putin, sem detalhar como seriam aplicadas as garantias de segurança oferecidas à Ucrânia.
A proposta inclui ainda a possibilidade de reintegrar a Rússia a fóruns internacionais — como o G7, que voltaria a ser G8 — e reabrir rotas comerciais sob supervisão conjunta. Esses pontos geraram críticas de diplomatas europeus, que veem vantagens desproporcionais ao Kremlin.
Diante do prazo estabelecido por Trump, o presidente Volodymyr Zelensky afirmou, em pronunciamento televisionado, que seu país vive “um dos momentos mais difíceis” da história e classificou o cenário como “um dilema” entre preservar dignidade e soberania ou arriscar perder o apoio de um aliado fundamental, os EUA.
Zelensky disse que pretende discutir cada ponto com Washington e com líderes europeus, enquanto fontes em Kiev demonstram preocupação com o impacto interno caso o governo aceite concessões territoriais.
A Ucrânia confirmou ter recebido um documento preliminar e informou que está trabalhando tecnicamente com a equipe americana na análise dos itens mais sensíveis, mas negou já ter concordado com qualquer termo.
Putin, por sua vez, declarou que o plano “pode servir de base” para um acordo final, mas advertiu que, caso Kiev rejeite a proposta, Moscou continuará suas operações militares e poderá ampliá-las nos próximos meses.
A fala foi interpretada como uma forma de pressionar a Ucrânia e reforçar a narrativa de que a Rússia estaria aberta a negociar, desde que em condições favoráveis.
Diplomatas europeus manifestaram desconforto com a ausência de consulta prévia dos EUA e defendem que qualquer acordo preserve plenamente a capacidade defensiva de Kiev.
Analistas apontam que a combinação entre pressão internacional, instabilidade política interna e o avanço lento no front cria um cenário delicado para Zelensky. Seu governo enfrenta investigações de corrupção e tensões com setores militares, fatores que podem dificultar a aprovação de concessões consideradas desfavoráveis.
Para aliados europeus, um acordo fechado às pressas ampliaria o risco de instabilidade política e comprometeria a segurança regional.
