Trump se reúne na Casa Branca com novo líder da Síria, Ahmed al-Sharaa

Presidente dos EUA, Donald Trump, e o novo líder da Síria, Ahmed al-Sharaa — Foto: Reprodução

(OHF) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu nesta segunda-feira, 10, na Casa Branca, o novo líder da Síria, Ahmed al-Sharaa — um ex-combatente com histórico de vínculos com a Al-Qaeda que, até recentemente, figurava na lista americana de terroristas procurados.

A visita marca o ponto mais alto da ascensão de al-Sharaa, que derrubou o ex-ditador Bashar al-Assad em dezembro do ano passado, após uma longa e devastadora guerra civil, e tenta agora consolidar sua imagem como um governante moderado.

Entre os principais objetivos da viagem a Washington está persuadir a Casa Branca a suspender as sanções mais rígidas ainda em vigor contra Damasco.

Durante a reunião privada entre Trump e al-Sharaa, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou a prorrogação por 180 dias da suspensão da aplicação da Caesar Syria Civilian Protection Act, afirmando que a medida “indica o compromisso [de Washington] com a continuidade do alívio das sanções à Síria”. A revogação definitiva da lei, contudo, depende da aprovação do Congresso americano.

Esta foi a primeira visita oficial de um chefe de Estado sírio à Casa Branca, seis meses após o encontro entre Trump e al-Sharaa em Riad, na Arábia Saudita — ocasião em que o presidente americano havia sinalizado a intenção de reduzir as punições ao país árabe. Pouco antes da reunião em Washington, o governo dos EUA retirou o nome de al-Sharaa da lista de “Terroristas Globais Especialmente Designados”.

Apesar da importância política, a recepção foi discreta. O líder sírio entrou por uma porta lateral da Ala Oeste, sem a cerimônia normalmente reservada a dignitários estrangeiros. O acesso da imprensa foi limitado, e os repórteres que costumam acompanhar encontros no Salão Oval não foram autorizados a entrar.

Aos 43 anos, al-Sharaa chegou ao poder após uma ofensiva relâmpago de seus combatentes no noroeste da Síria, que resultou na queda de Assad em 8 de dezembro. Desde então, Damasco passou por uma rápida reorientação diplomática, distanciando-se de antigos aliados, como Irã e Rússia, e aproximando-se da Turquia, de países do Golfo e dos Estados Unidos.

Embora o governo Trump já tenha flexibilizado parte das restrições impostas ao antigo regime, as sanções da Lei Caesar continuam sendo o principal obstáculo à reconstrução do país. Um alto funcionário americano afirmou que a Casa Branca apoia a revogação total da lei pelo Congresso.

A segurança regional também foi tema central das conversas. Em uma guinada significativa da política externa americana, Trump demonstrou apoio à transição política síria. Washington vem mediando tratativas para um possível acordo de segurança entre Síria e Israel, embora o governo israelense ainda mantenha cautela diante do passado jihadista de al-Sharaa.

De acordo com fontes citadas pela agência Reuters, os EUA planejam estabelecer presença militar em uma base aérea nos arredores de Damasco. A Síria, por sua vez, deve anunciar em breve sua adesão formal à coalizão liderada pelos Estados Unidos contra o Estado Islâmico (ISIS).

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