Ex-presidente russo Dmitry Medvedev chama EUA de inimigos: ‘Entraram de vez no caminho da guerra’
(OHF) — O ex-presidente da Rússia Dmitry Medvedev, aliado de Vladimir Putin e atual vice-presidente do Conselho de Segurança do Kremlin, declarou nesta quinta-feira, 23, que os Estados Unidos são “inimigos” de seu país e acusou o governo de Donald Trump de ter “entrado de vez no caminho da guerra” contra Moscou.
“O cancelamento da cúpula em Budapeste por Trump. Novas sanções contra o nosso país por parte dos EUA. O que mais? Haverá novas armas, além dos infames [mísseis] ‘Tomahawks’? (…) Os EUA são nosso inimigo, e o seu falastrão ‘pacificador’ [Trump] agora entrou de vez no caminho da guerra contra a Rússia. (…) As decisões tomadas são um ato de guerra contra a Rússia. E agora Trump se solidarizou completamente com a insana Europa”, afirmou Medvedev.
As declarações ocorrem após o Tesouro americano anunciar, na quarta-feira, 22, sanções contra as petrolíferas russas Lukoil e Rosneft — as maiores do país.
As medidas bloqueiam ativos e proíbem transações das empresas e de suas subsidiárias nos Estados Unidos, configurando a primeira rodada de punições econômicas à Rússia neste segundo mandato de Trump.
Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, “todos os bens e interesses em bens” das companhias sob jurisdição americana “estão bloqueados e devem ser comunicados à OFAC [Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros]”.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, justificou as medidas afirmando que “diante da recusa do presidente Putin em encerrar essa guerra sem sentido, o Tesouro [dos EUA] está sancionando as duas maiores empresas de petróleo da Rússia, que financiam a máquina de guerra do Kremlin”.
As sanções foram anunciadas logo após Trump cancelar uma nova reunião com Putin em Budapeste, na Hungria de Viktor Orbán, que discutiria um cessar-fogo na guerra iniciada pela Rússia na Ucrânia — prestes a completar quatro anos em fevereiro.
Analistas interpretaram o cancelamento como um sinal de frustração do presidente americano diante do autocrata do Kremlin.
Na véspera, a Rússia havia realizado um exercício militar com mísseis balísticos capazes de transportar ogivas nucleares, lançados de bases terrestres, submarinos e aeronaves. Alguns projéteis, segundo Moscou, têm alcance suficiente para atingir o território americano.
Medvedev já havia feito ameaças semelhantes em julho, quando afirmou que “cada novo ultimato de Trump é mais um passo em direção à guerra”, após o republicano impor um prazo “de 10 a 12 dias” para que Moscou aceitasse um cessar-fogo, sob pena de tarifas de 100% sobre produtos russos.
Dias depois, o ex-presidente mencionou o sistema “Mão Morta”, mecanismo soviético de disparo automático de mísseis nucleares, classificando-o como uma “arma apocalíptica”.
As novas medidas marcam uma mudança na postura de Trump, que até então evitava impor sanções diretas à Rússia, preferindo ações de caráter comercial. No início do ano, ele havia elevado em 25% as tarifas sobre produtos da Índia em retaliação à compra de petróleo russo com desconto.
