Chefe do Comando Militar dos EUA para a América Latina deixa o cargo em meio à escalada do governo Trump contra Venezuela
(OHF) – O almirante Alvin Holsey, chefe do Comando Sul dos Estados Unidos (USSOUTHCOM) — responsável pelas operações militares na América Latina —, deixará o cargo e se aposentará em meio à escalada de tensões entre o governo do presidente Donald Trump e a Venezuela. A informação foi confirmada nesta quinta-feira, 16, pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth.
De acordo com o The New York Times (NYT), a decisão de Holsey está diretamente ligada à crise diplomática entre Washington e Caracas.
O almirante teria expressado preocupação com os bombardeios realizados pelos EUA contra embarcações civis suspeitas de transportar drogas no Caribe — ações que, segundo o jornal, ele considerava excessivas e politicamente arriscadas.
As operações vêm sendo alvo de críticas de organizações internacionais. A Human Rights Watch classificou os ataques como violações do direito internacional, afirmando que se tratam de “execuções extrajudiciais ilegais”. O assunto também foi levado ao Conselho de Segurança da ONU.
A saída de Holsey foi descrita pela imprensa americana como “inesperada”. Ele comandava o SOUTHCOM desde o fim do ano passado, e, conforme lembrou a Reuters, oficiais costumam permanecer no cargo por pelo menos três anos.
Em uma publicação nas redes sociais, o secretário Pete Hegseth elogiou o trabalho do almirante:
“O mandato dele como vice-comandante militar e agora como comandante do Comando Sul dos EUA reflete um legado de excelência operacional e visão estratégica. O Departamento agradece ao almirante Holsey por suas décadas de serviço ao nosso país”, afirmou.
Ainda assim, segundo o NYT, autoridades do Pentágono afirmaram que os elogios públicos “mascaram tensões políticas reais” entre Hegseth e Holsey, especialmente sobre a condução da política americana em relação à Venezuela.
Horas depois, uma conta oficial do Departamento de Defesa dos EUA — que passou a usar o apelido de “Departamento de Guerra” — repostou uma mensagem de um assessor de Hegseth chamando a reportagem do jornal de “fake news” e negando qualquer tipo de divergência sobre as operações no país governado pelo ditador Nicolás Maduro.
Desde setembro, os EUA já atacaram ao menos cinco embarcações em águas internacionais do Caribe, resultando na morte de 27 pessoas. Embora a Casa Branca sustente que se trata de uma operação contra o tráfico de drogas, fontes do governo americano ouvidas pela imprensa afirmam que o objetivo final é derrubar o regime chavista.
Atualmente, oito navios de guerra e um submarino nuclear da Marinha americana permanecem posicionados próximos à costa venezuelana. O governo dos EUA também enviou caças para Porto Rico, território estratégico no Caribe.
