Escândalo de corrupção implica irmã de Milei e fragiliza governo da Argentina a semanas de eleições
(OHF) – A alta cúpula do governo de Javier Milei, na Argentina, foi envolvida em um escândalo de corrupção que coloca a irmã do presidente e secretária-geral da Presidência, Karina Milei, no centro das acusações.
A denúncia surgiu após o vazamento de um áudio atribuído a Diego Spagnuolo, ex-chefe da Agência Nacional para a Deficiência (Andis), que acusou Karina de cobrar propina de indústrias farmacêuticas, motivando uma investigação da Justiça argentina.
No material, Spagnuolo afirma que Karina Milei e Eduardo “Lule” Menem, subsecretário de gestão institucional, cobravam até 8% do faturamento das empresas farmacêuticas para garantir contratos com o governo, um esquema que renderia cerca de US$ 800 mil (R$ 4,3 milhões) por mês.
“Karina Milei ficaria com a maior parte do lucro, entre 3% e 4%”, diz o ex-chefe da Andis.
Ele contou ter descoberto o esquema após uma reunião com Lule Menem, braço direito da secretária-geral da Presidência e primo de Martín Menem, presidente da Câmara dos Deputados, que o teria instruído a contratar determinados funcionários.
Em outro trecho do áudio, Spagnuolo relata ter sido orientado a fechar negócio com uma empresa específica: “Estão roubando. Você pode fingir que não sabe, mas não joguem o problema para mim, tenho todos os WhatsApp de Karina”. Ele também afirmou ter levado o caso a Milei, o que é negado pelo governo.
O presidente argentino demonstrou apoio à irmã na segunda-feira, 26, durante sua primeira aparição pública após as denúncias, posando sorridente ao lado de Karina, mas sem comentar diretamente as acusações.
O escândalo ameaça a governabilidade de Milei, fragilizando seu governo às vésperas das eleições na província de Buenos Aires, que concentra um terço do eleitorado argentino, e a dois meses das eleições legislativas.
Nas últimas semanas, o governo já enfrenta resistência no Congresso e expectativas frustradas na economia, apesar da redução da inflação.
O primeiro áudio contra Karina vazou em 20 de agosto, gerando reação imediata da Justiça e do governo.
Spagnuolo foi demitido no dia seguinte, e tanto a sede da Andis quanto a empresa Suizo Argentina, suposta intermediária na venda de medicamentos ao Estado, foram alvo de buscas e apreensão.
A queixa na Justiça foi apresentada por Gregorio Dalbón, advogado da ex-presidente Cristina Kirchner, que fala em uma “matriz de corrupção”.
Segundo o jornal argentino Clarín, o celular de Spagnuolo foi apreendido e teve os dados extraídos para a investigação.
Também foram recolhidos os aparelhos dos sócios da Suizo Argentina, Emmanuel e Jonathan Kovalivker, entregues desligados e sem senhas. O juiz federal Sebastián Casanello proibiu a saída do país dos investigados como medida cautelar.
Após a divulgação do escândalo, o chefe de gabinete de Milei, Guillermo Francos, afirmou que o presidente está tranquilo e sugeriu que se trata de uma perseguição política durante a campanha eleitoral.
Martín Menem, presidente da Câmara e primo de Lule, também defendeu os acusados: “Ponho as mãos no fogo por Lule Menem e Karina Milei”, disse.
O Parlamento estuda abrir uma CPI para apurar as denúncias contra Karina Milei, o que pode ampliar o desgaste político do governo.
