Canadá pretende reconhecer Estado palestino em setembro, diz primeiro-ministro Carney
(OHF) — O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou nesta quarta-feira, 30, que seu país pretende reconhecer o Estado Palestino durante a Assembleia Geral da ONU em setembro, “se algumas condições forem atendidas”.
A principal exigência está ligada à estrutura da Autoridade Nacional Palestina (ANP), que administra partes da Cisjordânia.
Com o anúncio, o Canadá se torna o terceiro país do G7 a sinalizar apoio formal à criação do Estado Palestino, intensificando a pressão internacional por uma solução política que encerre a guerra em Gaza.
Carney fez a declaração após uma conversa por telefone com o presidente palestino, Mahmoud Abbas.
Aos jornalistas, confirmou sua intenção de anunciar o reconhecimento oficial em Nova York e defendeu “uma crença nos direitos inalienáveis dos dois povos”, em referência a israelenses e palestinos.
Apesar da sinalização, o primeiro-ministro deixou claro que o reconhecimento dependerá de medidas concretas.
Ele mencionou reformas imediatas na ANP, a começar pela realização de eleições em 2026, sem a participação do Hamas — grupo classificado como terrorista pelo Canadá.
As últimas eleições legislativas palestinas ocorreram em 2006 e resultaram na divisão política entre a Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas, e a Cisjordânia, sob comando da ANP. Já a última presidencial foi em 2005, quando Abbas assumiu o poder, onde permanece até hoje.
Carney afirmou ter cobrado reformas democráticas nas instituições palestinas, embora não tenha detalhado como enxerga o futuro da administração em Gaza, um dos temas centrais nas discussões atuais sobre o pós-guerra.
Desde o início do conflito, em outubro de 2023, mais de 60 mil pessoas morreram no enclave, que enfrenta uma crise humanitária severa. Segundo o premiê canadense, Abbas se comprometeu a “não militarizar” o futuro Estado Palestino.
A posição canadense segue movimentos semelhantes de outros membros do G7. Na semana passada, a França também anunciou sua intenção de reconhecer a Palestina e elevou o tom contra Israel.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores francês classificou como “ato de terrorismo” o assassinato de um jornalista na Cisjordânia por um colono israelense — o profissional havia trabalhado em um documentário premiado com o Oscar.
Na terça-feira, 29, o Reino Unido se somou ao movimento, declarando que o reconhecimento será feito caso Israel não demonstre compromisso com um cessar-fogo.
A reação de Tel Aviv foi imediata. Em comunicado, a chancelaria israelense criticou duramente a decisão de Ottawa: “A mudança na posição do governo canadense neste momento é uma recompensa para o Hamas e prejudica os esforços para alcançar um cessar-fogo em Gaza e uma estrutura para a libertação dos reféns”.
O tom é semelhante ao adotado em críticas anteriores contra França e Reino Unido.
Já os Estados Unidos, principais aliados de Israel, ainda não se pronunciaram sobre os anúncios recentes. Tradicionalmente, Washington apoia a solução de dois Estados — um israelense e um palestino —, mas insiste que qualquer avanço nesse sentido deve ocorrer por meio de negociações diretas, e não por decisões unilaterais.
