Em meio a tarifaço e ataques de Trump, EUA querem minerais críticos do Brasil
(OHF) – Tradicionalmente dependentes da China para o fornecimento de minerais críticos, os Estados Unidos voltaram suas atenções ao Brasil, que possui vastas reservas desses insumos estratégicos, fundamentais para setores como transição energética, defesa e fabricação de semicondutores.
Na quinta-feira, 24, o encarregado de negócios dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, se reuniu com representantes da mineração brasileira — incluindo empresários, autoridades do governo e membros do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) — para propor uma cooperação entre os dois países na exploração desses recursos.
O Brasil é especialmente rico em nióbio, detendo cerca de 98% das reservas globais, e também possui grandes quantidades de grafite, níquel e terras raras, além de lítio, cobre e cobalto — todos considerados estratégicos no cenário global.
A reunião ocorreu poucos dias antes da entrada em vigor de uma tarifa de 50% imposta por Donald Trump sobre produtos brasileiros, programada para 1º de agosto.
O presidente americano justificou a medida alegando que a Justiça brasileira estaria “perseguindo” o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), réu por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Escobar tem mantido diálogo com autoridades brasileiras a respeito da resposta à tarifa.
Segundo interlocutores, o encontro girou em torno da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos — proposta em análise no Congresso que busca definir quais minérios são essenciais ao desenvolvimento econômico, tecnológico e ambiental do Brasil.
Participantes do encontro relataram que as falas do diplomata americano não foram vistas como tentativa de condicionar o alívio das tarifas ao acesso aos minerais brasileiros.
Ainda assim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com firmeza e afirmou que o país não aceitará pressões externas sobre a gestão desses recursos.
“Aqui ninguém põe a mão”, declarou Lula na mesma quinta-feira. Assista abaixo:
No primeiro semestre, os EUA já haviam pressionado a Ucrânia a firmar um acordo para explorar suas reservas de terras raras — ação associada à ameaça da Casa Branca de cortar o apoio militar ao país em guerra.
Minerais críticos são indispensáveis para setores de alta tecnologia e segurança, como baterias de carros elétricos, mísseis guiados, aviões de caça e submarinos.
Sua escassez e a concentração geográfica da produção — em especial na China — vêm preocupando governos e indústrias no mundo todo.
Além de dominar o processamento da maioria desses minerais, a China impôs em abril restrições à exportação de sete terras raras e de ímãs derivados, o que levou empresas globais a reavaliar suas cadeias de suprimento.
Nesse contexto, os EUA buscam alternativas para reduzir a dependência de Pequim.
O Brasil surge como um parceiro estratégico nesse cenário, sobretudo pelas reservas de terras raras — grupo de 17 elementos químicos utilizados em produtos modernos como smartphones, TVs, câmeras digitais, LEDs e ímãs permanentes de alta potência.
Esses ímãs são essenciais para tecnologias sustentáveis, como turbinas eólicas e veículos elétricos, por sua leveza e eficiência.
Além de seu uso civil, terras raras são insubstituíveis em aplicações militares, incluindo sistemas de defesa a laser, telêmetros e equipamentos de navegação.
Além do Brasil, outros países com potencial em minerais críticos têm despertado o interesse dos EUA e da União Europeia — entre eles, a Ucrânia e a Groenlândia.
No entanto, esses territórios enfrentam desafios logísticos e geopolíticos, como o conflito com a Rússia e o isolamento geográfico.
Em abril, os EUA e a Ucrânia assinaram um acordo para exploração de terras raras em território ucraniano, apesar da ocupação militar russa. Trump afirmou que o acesso a esses recursos seria uma condição para manter o envio de ajuda militar a Kiev.
