Trump foi informado em maio de que seu nome aparece nos arquivos do caso Epstein, diz jornal

Jeffrey Epstein e Donald Trump - Foto: Reprdoução

(OHF) – O Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou ao presidente Donald Trump, em maio deste ano, que seu nome constava entre os registros relacionados ao caso Jeffrey Epstein (1953–2019), bilionário financista acusado de abusar de menores de idade e operar um esquema de tráfico sexual envolvendo vítimas dessa mesma faixa etária.

A revelação foi feita pelo The Wall Street Journal nesta quarta-feira, 23.

Segundo o jornal, “a procuradora-geral Pam Bondi e seu vice informaram ao presidente, em uma reunião na Casa Branca, que seu nome constava nos arquivos de Epstein, de acordo com autoridades”.

Durante o encontro, Trump foi avisado de que outras figuras públicas também eram citadas nos documentos. A reportagem ressalta: “Ser mencionado nos registros não é, necessariamente, sinal de irregularidade”.

De acordo com as autoridades ouvidas pelo WSJ, os registros incluíam “centenas de outros nomes” e traziam “boatos não verificados sobre muitas pessoas, incluindo Trump, que haviam se socializado com Epstein no passado”.

Procurada, a Casa Branca classificou a reportagem como “fake news” (notícia falsa).

O caso voltou ao centro do debate público em 7 de julho, quando o Departamento de Justiça e o FBI divulgaram uma nota após concluírem uma “revisão exaustiva dos registros investigativos relacionados a Jeffrey Epstein”.

A investigação, que envolveu buscas digitais e físicas, resultou na coleta de mais de 300 gigabytes de dados e evidências.

Essa nota oficial descartou a existência de uma suposta lista de clientes influentes que teriam participado dos crimes.

Essa revisão sistemática não revelou nenhuma ‘lista de clientes’ incriminadora. Também não foram encontradas evidências credíveis de que Epstein tenha chantageado indivíduos influentes como parte de suas ações. Não descobrimos evidências que justificassem a abertura de investigação contra terceiros que não foram acusados”, afirmou o Departamento de Justiça na ocasião, gerando mais desconfiança na base de apoio de Trump, fortemente engajada nessa teoria.

Ainda no início do ano, em fevereiro, o governo dos EUA havia liberado uma série de documentos relacionados ao caso. À época, Bondi chegou a dizer que uma possível lista de clientes de Epstein estava em sua “mesa para ser revisada”.

Em junho, em meio ao rompimento político e a uma série de indiretas via redes sociais, o bilionário Elon Musk sugeriu publicamente que Trump poderia estar envolvido no escândalo sexual.

Trump e Epstein mantiveram relações próximas nas décadas de 1990 e 2000. O nome do presidente aparece, inclusive, em registros de voo de 1994 ao lado do financista.

As investigações indicam que Epstein abusou de dezenas de meninas no início dos anos 2000. Ele foi preso em 2019 e morreu um mês depois, na prisão, em Nova York. Segundo o Departamento de Justiça, ele cometeu suicídio.

Ghislaine Maxwell, parceira e cúmplice de Epstein, foi condenada em 2022 a 20 anos de prisão por envolvimento no esquema de tráfico sexual de menores.

Antes disso, em 2008, o financista já havia se declarado culpado por exploração sexual de menores. Ao longo de sua vida, circulou entre milionários de Wall Street, celebridades e membros da realeza.

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