Canadá quer acordo comercial com o Mercosul para reduzir dependência dos EUA

Bandeira do Canadá em frente ao Parlamento do país, em Ottawa – Foto: Reprodução

(OHF) – O ministro do Comércio Exterior do Canadá, Maninder Sidhu, afirmou na quinta-feira, 17, que seu país tem interesse em retomar e avançar nas negociações com o Mercosul, como parte da estratégia de Ottawa para diversificar suas parcerias comerciais além dos Estados Unidos.

Segundo Sidhu, essa diversificação é uma prioridade do governo do primeiro-ministro Mark Carney, que busca reduzir a dependência dos americanos — responsáveis por um comércio bilateral de mais de 1 trilhão de dólares canadenses (cerca de R$ 4,05 trilhões) em 2024 — e ampliar a rede de acordos de livre comércio ao redor do mundo.

Conversei com o ministro das Relações Exteriores do Brasil [Mauro Vieira], e há interesse em realizar conversas sobre o Mercosul“, disse Sidhu em entrevista à Reuters.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia manifestado, em abril, interesse em avançar nas tratativas para um acordo comercial entre o bloco sul-americano e o Canadá.

O Mercosul — formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia — já manteve rodadas de negociação com os canadenses no passado.

Paralelamente, Carney e sua equipe têm dialogado com o presidente dos EUA, Donald Trump, para tentar fechar um novo pacto comercial até 1º de agosto, com o objetivo de reduzir as tarifas americanas sobre produtos canadenses.

Sidhu também ressaltou que o Canadá pretende retomar as negociações com a China, reconhecendo os desafios e as oportunidades do relacionamento.

Com a China, há oportunidades, há desafios“, afirmou. Segundo o ministro, os dois países têm mantido conversas “francas” sobre tarifas incidentes sobre exportações canadenses de canola, carne bovina, ração para animais de estimação, entre outros produtos.

Ele também avaliou como positivo o recente descongelamento das relações diplomáticas entre Índia e Canadá, o que pode abrir novas possibilidades para o comércio bilateral.

Atualmente, o Canadá possui 15 acordos de livre comércio que abrangem 51 países, alcançando cerca de 1,5 bilhão de consumidores. Mesmo assim, Sidhu afirmou que Ottawa seguirá buscando novos pactos nos próximos meses, embora não tenha definido metas.

Nos dois primeiros meses à frente do ministério, ele assinou um acordo de livre comércio com o Equador e um pacto de promoção de investimentos com os Emirados Árabes Unidos. Há ainda negociações em andamento com países da Ásia e do Indo-Pacífico, como Indonésia e Filipinas.

O ministro destacou que a forte dependência comercial dos EUA tem afetado a competitividade das empresas canadenses, especialmente após a imposição de tarifas por Trump.

Meu trabalho é estar lá fora abrindo portas“, afirmou Sidhu, acrescentando que o objetivo é diversificar não apenas o comércio, mas também as aquisições de defesa do Canadá, historicamente voltadas para os EUA.

Nesse contexto, Carney anunciou um aumento de 9 bilhões de dólares canadenses (R$ 36,51 bilhões) nos gastos com defesa em 2025, para cumprir a meta da OTAN de destinar 2% do PIB ao setor.

Estamos trabalhando com a União Europeia e outros parceiros em todo o mundo para ajudar a desbloquear algumas dessas oportunidades de aquisição na área de defesa para nossas empresas canadenses“, afirmou o ministro.

Em maio, as exportações canadenses para os EUA representaram 68% do total, o menor percentual já registrado, evidenciando os esforços do setor privado para ampliar mercados.

Questionado sobre um possível novo acordo comercial com os EUA, Sidhu evitou detalhes, mas afirmou que o governo “trabalhará para chegar a um acordo que seja melhor para as empresas e os trabalhadores canadenses“.

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